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Lula assina MP que exige nota mínima no Enamed para registro médico e exercício da profissão

O governo federal anunciou uma mudança significativa nas regras para ingresso na profissão médica no Brasil. Em cerimônia realizada na última sexta-feira (19), em São João del-Rei (MG), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que estabelece a obtenção de nota mínima no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) como condição para o registro nos Conselhos Regionais de Medicina (CRM).

A iniciativa cria um modelo semelhante ao adotado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), tornando obrigatória a comprovação de proficiência para que novos médicos possam exercer a profissão.

Pela nova regra, os candidatos deverão alcançar pelo menos 60 pontos em uma escala de 100 para obter o registro profissional. A medida já está em vigor, mas a exigência será aplicada aos estudantes que ingressarem futuramente nos cursos de Medicina.

Para os alunos que já estão matriculados, o exame terá inicialmente função avaliativa e também servirá como critério para acesso aos programas de residência médica. Neste grupo, a aprovação no Enamed não será exigida de imediato para a obtenção do registro profissional.

Como funcionará o Enamed

O modelo anunciado prevê aplicação semestral do exame em diferentes etapas da graduação.

No quarto ano do curso, os estudantes realizarão uma avaliação diagnóstica destinada a medir o desempenho individual e institucional, sem impacto direto em seu histórico acadêmico.

Já no sexto ano, o exame passará a ter caráter obrigatório para fins de registro profissional, sendo necessário atingir a nota mínima estabelecida para exercer a medicina.

Os candidatos que não alcançarem a pontuação exigida poderão participar de novas edições da prova, inclusive após a conclusão da graduação, até obterem a proficiência necessária.

Controle de qualidade na formação médica

Segundo o governo federal, a medida busca fortalecer os mecanismos de avaliação da formação médica diante da expansão dos cursos de Medicina no país e das discussões sobre a qualidade do ensino oferecido por algumas instituições.

A proposta tem como objetivo garantir que os futuros profissionais apresentem conhecimentos e competências mínimas antes de iniciarem suas atividades junto à população.

Impactos para estudantes e mercado

Especialistas apontam que a exigência poderá elevar o nível de preparação dos estudantes e ampliar a procura por cursos de aperfeiçoamento e preparação específicos para o exame.

A medida também deverá influenciar a trajetória acadêmica dos futuros médicos, uma vez que a aprovação passará a ser requisito para o ingresso formal na profissão.

Tramitação no Congresso

Embora já produza efeitos imediatos após sua publicação, a medida provisória precisará ser analisada pelo Congresso Nacional. O texto terá prazo de até 120 dias para ser aprovado por deputados e senadores.

Caso não seja votada dentro do período previsto, a medida poderá perder sua validade, abrindo espaço para novas discussões sobre o modelo de avaliação da formação médica no Brasil.

Com a nova regulamentação, o Enamed deixa de ser apenas um instrumento de avaliação acadêmica e acesso à residência médica para assumir papel central no processo de habilitação dos futuros profissionais da medicina no país.

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