Os números divulgados ontem pela Secretaria de Segurança Pública reafirmam Santa Catarina como o Estado mais seguro do Brasil. Com uma redução significativa na maioria dos crimes em 2024, o governo e as forças de segurança destacam a eficiência das estratégias adotadas, que vão desde investimentos em tecnologia e capacitação até ações integradas entre Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia Científica.
Entre os dados mais expressivos, destacam-se as quedas nos índices de homicídios e feminicídios, indicadores universais da violência que mostram avanços concretos no combate aos crimes contra a vida. No entanto, não se pode ignorar os pontos de alerta: estelionato, com aumento de 6,2%, e violência doméstica, que, mesmo com leve alta de 0,2% em 2024, apresenta crescimento preocupante de 15% nos últimos quatro anos.
O aumento dos casos de estelionato, em que 70% das ocorrências acontecem no ambiente virtual, reflete um desafio global. Embora Santa Catarina tenha forças especializadas, como a Delegacia de Defraudações da Deic, que ampliou em quase 80% sua produtividade, é evidente que a prevenção e a conscientização precisam ser reforçadas.
Campanhas educativas sobre golpes digitais e ações de alfabetização digital devem ganhar mais espaço na agenda de segurança pública, especialmente entre as populações mais vulneráveis.
Outro aspecto preocupante é a persistência da violência doméstica. Apesar de avanços legislativos e da ampliação de delegacias especializadas, os números reforçam que as campanhas de conscientização devem ir além da denúncia e buscar atacar a raiz do problema: a educação para o respeito e a igualdade de gênero.
Os dados positivos, por outro lado, são dignos de celebração. Mas não de acomodação. A segurança pública em Santa Catarina é um reflexo não apenas das forças policiais, mas também de indicadores sociais robustos, como o alto IDH e a baixa taxa de informalidade.
Para manter essa posição privilegiada, é essencial continuar investindo em tecnologia, formação de servidores e políticas de prevenção, além de enfrentar com maior intensidade os crimes emergentes, como os golpes virtuais, e os enraizados, como a violência de gênero.