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Do poema à tela: as 10 principais diferenças entre a “Odisseia” de Homero e o filme de Nolan

A adaptação de Christopher Nolan para o épico de Homero gerou debates nas redes sociais, com muitos espectadores apontando diferenças significativas entre o filme e o poema original. No entanto, o texto de Homero faz parte de uma tradição oral que se modificou ao longo dos séculos antes de ser registrado por escrito, abrindo caminho para múltiplas interpretações — e Nolan aproveitou essa liberdade criativa para construir sua própria versão da história de Odisseu, interpretado por Matt Damon.

Na película, o herói retorna a Ítaca guiado por Atena (Zendaya), enfrentando deuses, sereias, gigantes e outras criaturas mitológicas em uma jornada de dez anos, enquanto sua esposa Penélope (Anne Hathaway) e seu filho Telêmaco (Tom Holland) lidam com os pretendentes que cercam o palácio, liderados por Antínoo (Robert Pattinson). A seguir, confira as principais diferenças entre o filme e o poema:

Penélope e Telêmaco

No poema, Telêmaco repreende a mãe e chega a ordenar que ela se retire aos seus aposentos, afirmando que a palavra pertence aos homens. No filme, a dinâmica se inverte: Penélope é uma figura de autoridade que critica a imaturidade do filho e chega a dizer que gostaria de ver os pretendentes queimados vivos.

Sinon e Antínoo

Sinon, personagem da Eneida de Virgílio, não aparece na Ilíada nem na Odisseia. No filme, ele é transformado em um jovem pastor de Ítaca (interpretado por Elliot Page) que ocupa o lugar de Antínoo na Guerra de Troia e é convencido por Odisseu a sacrificar a própria vida para facilitar a entrada do cavalo de madeira.

Helena e Clitemnestra

Na mitologia clássica, Helena e Clitemnestra são meias-irmãs. No filme, elas aparecem como irmãs gêmeas, e Helena carrega uma grande cicatriz no rosto como marca da Guerra de Troia.

Os Lestrigões

No poema, os gigantes antropófagos destroem onze das doze embarcações de Odisseu com enormes pedras e devoram parte da tripulação. Na adaptação, eles são gigantes com armaduras que usam árvores para construir jaulas e capturar os homens de Odisseu, destruindo duas das três embarcações do herói.

Feácios e comedores de lótus

Nolan condensou a história e eliminou episódios inteiros, como a passagem de Odisseu pela terra dos feácios e o episódio dos comedores de lótus. Na adaptação, é Calipso (Charlize Theron) quem oferece o lótus a Odisseu para fazê-lo esquecer o caminho de casa.

O Ciclope

No poema, Odisseu engana o ciclope dizendo que se chama “Ninguém”, embriaga-o com vinho e o cega com uma estaca. Na fuga, ele e seus homens escapam sob o ventre das ovelhas. O filme elimina esses elementos: os personagens fogem se escondendo com a vegetação após ferir o ciclope.

Calipso e Circe

Na versão clássica, Odisseu tem um relacionamento com Calipso por sete anos e também se une à feiticeira Circe. Na adaptação, o herói permanece completamente fiel a Penélope e consegue se impor a Circe ao ameaçar a irmã da feiticeira, transformada em corvo.

Os deuses

Além de Atena, aparecem no filme Hades, Calipso e Circe, mas não há Zeus, Poseidon, Ino, Héracles ou Hermes — que no poema tem um papel importante ao libertar Odisseu de Calipso.

O disfarce e a emboscada

No poema, Atena transforma Odisseu em um mendigo para que ele possa circular por Ítaca sem ser reconhecido. No filme, ele apenas cobre o rosto com a capa. A emboscada contra Telêmaco também é transferida para um templo de Apolo, onde Mentor morre e Telêmaco é salvo por Odisseu.

A ausência de Laertes

Laertes, pai de Odisseu, é um dos personagens mais importantes do poema — é para ele que Penélope tece o sudário, e o reencontro entre pai e filho é um dos momentos centrais da obra. No filme, ele simplesmente não aparece.

A morte dos pretendentes

Na adaptação, Odisseu luta praticamente sozinho, é gravemente ferido e Telêmaco mata apenas Melâncio. Vários pretendentes se rendem e reconhecem Odisseu como rei. No poema, Telêmaco participa ativamente da matança ao lado do pai, e as escravas que se relacionaram com os pretendentes são executadas.

O desfecho

No filme, Penélope abraça imediatamente Odisseu, ferido, após a batalha. Telêmaco é coroado rei, e o casal parte para o exílio. No poema, Penélope testa a identidade do marido com o leito matrimonial, e o conflito com os familiares dos pretendentes só termina com a intervenção de Atena.

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