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Seu filho pode ter asma e você não sabe: conheça os sinais de alerta

A asma é uma das doenças crônicas mais comuns da infância. De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), uma em cada cinco crianças brasileiras convive com a condição. Embora seja frequente, seus primeiros sinais nem sempre são facilmente identificados, o que pode retardar o diagnóstico e comprometer o controle da doença.

A dificuldade ocorre porque os sintomas iniciais da asma muitas vezes se confundem com problemas respiratórios comuns da infância, como resfriados, gripes e infecções virais. Reconhecê-los, segundo especialistas, é fundamental para garantir o tratamento adequado e evitar crises que podem exigir atendimento de urgência ou até hospitalização.

O principal sinal de que pode ser asma é a tosse com chiado no peito, de acordo com Paulo Cesar Kussek, pneumologista pediátrico e médico cooperado da Unimed Curitiba. 

“A criança emite um barulho na respiração como se fosse um gato miando. Se ela apresentar também falta de ar com o peito afundando, aparecendo as costelinhas, na maioria das vezes, é um sintoma típico de asma e deve receber atendimento imediatamente”, explica Kussek. 

 

Outros sintomas

O chiado no peito não é o único sinal de alerta. Existem sintomas mais sutis que costumam passar despercebidos ou ser atribuídos a outras condições respiratórias comuns da infância, segundo Thiago Carvalho, pneumologista pediátrico da Pro Matre Paulista.

Entre os principais indícios, estão:

  • tosse persistente, especialmente durante a noite ou ao amanhecer;
  • cansaço excessivo durante atividades físicas;
  • respiração mais ofegante em comparação com outras crianças da mesma idade
  • despertares noturnos frequentes

“Uma criança que corre no recreio e é sempre a primeira a parar para ‘pegar fôlego’ ou que tosse todas as noites por semanas, mas permanece bem durante o dia, são alguns exemplos que vale investigação com pneumologista pediátrico”, detalha o médico. 

 

Os desafios para identificar a asma

A asma pode se manifestar já nos primeiros anos de vida, mas identificar a doença nessa fase nem sempre é simples.

“No lactente (bebê menor de 2 anos de idade), o diagnóstico é mais desafiador, pois eles podem apresentar episódios de chiado no peito desencadeados por infecções respiratórias virais e não necessariamente serem asmáticos”, explica Laura Maria Lacerda Araujo, pneumologista pediátrica e docente do curso de medicina da Universidade Positivo (UP).

A dificuldade aumenta porque muitas crianças passam a frequentar creches e escolas ainda muito cedo. Nesses ambientes, o contato próximo com outras crianças favorece a circulação de vírus respiratórios. Além disso, nessa faixa etária, o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. 

“Nesta situação, muitos dos sintomas respiratórios simulam outras doenças, pois as crianças têm muito catarro nas vias aéreas que produzem um som diferente, que pode ser asma ou não, deixando tanto os pais como os médicos confusos”, afirma Kussek.

Veja também: Como ajudar uma pessoa com crise de asma

 

Como é feito o diagnóstico 

O diagnóstico da asma é clínico. Durante a consulta, o médico avalia o histórico da criança, a frequência dos sintomas e realiza o exame físico. Com o auxílio do estetoscópio, é possível identificar alterações características na respiração, como o chiado no peito, o que muitas vezes permite confirmar a suspeita mesmo sem a necessidade de exames complementares.

Exames laboratoriais e radiografias têm papel limitado na identificação da asma, já que não conseguem detectar diretamente as alterações provocadas pela doença nas vias aéreas. Ainda assim, podem ser úteis para descartar outras condições que apresentam sintomas semelhantes, como pneumonias e algumas infecções respiratórias.

 

Quais fatores aumentam o risco de asma? 

A predisposição genética é considerada o principal fator de risco para o desenvolvimento da asma. Segundo Kussek, crianças com histórico familiar da doença já carregam uma tendência maior a apresentar o problema, precisando apenas da exposição a determinados fatores para que os sintomas se manifestem.

“O gatilho pode ser uma gripe, um ambiente domiciliar com poeira e mofo, ou mesmo poluição atmosférica e pólens da primavera”, destaca.

Além da herança genética, outros fatores também podem contribuir para o surgimento da doença, segundo Carvalho. São eles: presença de condições alérgicas, como rinite alérgica e dermatite atópica; exposição à fumaça do cigarro durante a gestação ou após o nascimento; poluição ambiental; obesidade; e algumas infecções respiratórias nos primeiros anos de vida.

 

Como prevenir? 

Embora nem todos os casos possam ser evitados, algumas medidas ajudam a reduzir o risco de crises e a proteger a saúde respiratória das crianças. Manter um ambiente doméstico saudável, bem ventilado e com menor exposição a agentes que irritam as vias respiratórias é um dos principais cuidados para a prevenção. 

“Não estamos falando em excesso de limpeza, mas sim o bom senso. Viver numa casa com excesso de objetos que dificultam a limpeza, ambientes com excesso de umidade onde as paredes emboloram, é uma combinação trágica para inúmeras doenças respiratórias alérgicas e infecciosas, como as pneumonias bacterianas”, afirma Kussek. 

Veja também: Mofo em casa pode agravar alergias e doenças respiratórias

 

Como é feito o tratamento da asma

O tratamento da asma é individualizado e leva em conta a idade da criança, a frequência dos sintomas e a gravidade da doença. A abordagem combina orientação à família, identificação e controle dos fatores que desencadeiam as crises, além do uso correto dos medicamentos prescritos.

“Os corticoides inalatórios continuam sendo a base do tratamento da asma persistente por reduzirem a inflamação das vias aéreas. O principal objetivo é manter a criança sem sintomas, prevenir crises, evitar hospitalizações, preservar a função pulmonar e permitir uma vida plenamente ativa e saudável”, explica Carvalho.

 

Tem cura? 

A asma é considerada uma doença crônica, mas sua evolução pode variar ao longo da vida. Em alguns casos, os sintomas diminuem ou até desaparecem com o passar dos anos, especialmente quando a doença está bem controlada. “Existem situações em que a criança adquire remissão da doença sem a necessidade de uso contínuo de medicações”, diz Araujo.

No entanto, mesmo nos períodos sem sintomas, a predisposição à doença pode permanecer. Por isso, o acompanhamento médico continua sendo importante para monitorar a evolução do quadro e orientar a família sobre os cuidados necessários.

Com o tratamento adequado, a maioria das crianças consegue manter a asma sob controle e levar uma vida semelhante à de quem não convive com a doença.

“Quando a asma está bem controlada, a criança deve conseguir brincar, correr, participar de aulas de educação física e praticar esportes sem limitações importantes. Inclusive, diversos atletas olímpicos e de alto rendimento convivem com asma e competem em alto nível e são campeões”, destaca Carvalho. 

Veja também: Como é ser um atleta olímpico com asma? | Cesar Cielo

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