A Japan Airlines (JAL), por meio de sua subsidiária Japan Airlines Ground Service, inicia neste mês de maio um projeto piloto com robôs humanoides no aeroporto de Haneda, em Tóquio, com previsão de se estender até 2028.
Os robôs atuam no manuseio de contêineres de carga e devem expandir suas funções para limpeza de cabines e operação de equipamentos de pista. Com cerca de 1,30 metro de altura, eles aparecem em vídeos empurrando contêineres em direção à aeronave — um deles inclusive acenou para o colega.
Desenvolvidos na China em parceria com a GMO AI & Robotics Trading, a iniciativa é uma resposta à redução do interesse dos japoneses em trabalhar na área. Além do envelhecimento acelerado da população, que resulta em escassez de mão de obra, um boom do turismo estrangeiro amplia ainda mais a demanda, segundo comunicado à imprensa da empresa.
O turismo no Japão está em alta, com mais de 100 milhões de passageiros circulando todos os anos pelos dois principais aeroportos do país. O fluxo não parece desacelerar, e a demanda por trabalhadores só tende a crescer. Segundo a JAL, a ideia é que os robôs possam auxiliar quem já trabalha nessa função e suprir a necessidade de mais funcionários.
A demonstração para a imprensa ocorreu na última segunda-feira (27), enquanto os robôs executavam tarefas de carga em ambiente controlado.
Investimento do Japão em IA
Enquanto a população japonesa diminui pelo 14º ano consecutivo, a população em idade ativa representa apenas 60% do total, número que deve encolher ainda mais. Esse cenário vem remodelando a forma como as empresas operam, incentivando principalmente a adoção de inteligência artificial.
A aposta da JAL reflete uma tendência que atravessa diferentes setores da economia japonesa. A empresa busca melhorar as condições de trabalho retirando os funcionários das tarefas mais pesadas e fisicamente desgastantes, redirecionando essas funções para as máquinas. Outras atividades, como as ligadas à segurança, continuam sendo exclusivas para humanos.
Apesar da novidade, o uso de robôs em aeroportos não é exclusividade de Haneda. No Japão, máquinas já operam em patrulha de segurança e atendimento no varejo. Os humanoides ganham espaço justamente nas funções em que equipamentos maiores e mais complexos encontram limitações, por serem integrados ao ambiente sem exigir reformas estruturais. Os setores automotivo e de logística lideram a implementação de robótica no país.
Em abril, o TechCrunch noticiou que o Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão pretende construir um setor nacional de inteligência artificial física e conquistar 30% do mercado global até 2040. O governo já investiu cerca de US$ 6,3 bilhões para fortalecer as principais capacidades de IA no país.