O presidente russo, Vladimir Putin, recebeu neste sábado (5) os enviados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Kremlin para discutir uma proposta de paz para a Ucrânia. A reunião, que durou três horas, marcou a primeira visita de funcionários americanos a Moscou desde janeiro.
Os negociadores Steve Witkoff e Jared Kushner mantiveram conversas classificadas pelo governo russo como “extremamente francas” e “construtivas” com Putin, que agradeceu o compromisso de Trump, mas rejeitou novamente a possibilidade de um cessar-fogo prolongado.
Propostas concretas e posição russa
O assessor presidencial russo, Yuri Ushakov, afirmou que os enviados americanos apresentaram “várias ideias sobre possíveis caminhos para um acordo”. Segundo ele, os negociadores “não apenas expressaram seu tradicional interesse em acabar rapidamente com as hostilidades, mas apresentaram várias ideias sobre possíveis vias para um arranjo”.
Ushakov descreveu a conversa como “construtiva, extremamente franca e de confiança”. A parte russa, no entanto, deixou claro acreditar que pode alcançar seus objetivos militares de tomar o restante do leste da Ucrânia.
Recepção de Putin e rejeição a cessar-fogo
No início do encontro, realizado no Palácio do Senado do Kremlin, Putin recebeu os interlocutores em inglês — “Welcome. Nice to meet you” — e reconheceu a complexidade da situação. “A situação que hoje vamos tratar não é, por certo, fácil”, disse o mandatário, que também transmitiu “os melhores votos” e “palavras de agradecimento” ao presidente americano.
“Entendo que, em geral, ele enfrenta uma situação complicada. No entanto, não desiste em seus esforços de acordo, de contribuir para a solução do conflito russo-ucraniano”, afirmou Putin.
Apesar do tom diplomático, Putin reiterou sua rejeição a qualquer cessar-fogo de longa duração, posição já sustentada publicamente na semana anterior à reunião. Ele também não aceitou a possibilidade de uma cúpula tripartite com Estados Unidos e Ucrânia, a menos que seja para a assinatura de uma paz definitiva.
Medidas de distensão e próximos passos
Em um gesto inédito de distensão, ambas as partes concordaram com uma pausa temporária nos ataques sobre suas respectivas capitais durante a visita da delegação americana. O Kremlin confirmou que Putin ordenou uma suspensão de 72 horas nos bombardeios sobre Kiev a partir da meia-noite de sábado. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, anunciou que a Ucrânia também se absteria de atacar Moscou durante esse período, desde que a Rússia cumprisse a reciprocidade.
As negociações entre Moscou e Washington estavam praticamente paralisadas desde fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram operações militares contra o Irã, o que também invalidou entendimentos alcançados na cúpula russo-americana de agosto de 2025 no Alasca.
Após as conversas no Kremlin, Witkoff e Kushner têm previsão de viajar a Kiev para se encontrar com Zelensky. Será a primeira visita dos enviados à capital ucraniana desde o retorno de Trump à presidência, em janeiro de 2025. Trump já havia antecipado que seus representantes “levam consigo uma proposta para pôr fim à guerra”.
Os enviados foram recebidos em Moscou por Kirill Dmitriev, representante russo, que publicou na rede social X: “Bem-vindos a Moscou, construtores da paz”.