O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (13) que o Estreito de Ormuz está e continuará “aberto”, com ou sem a participação do Irã. Em uma publicação na rede Truth Social, Trump disse que os Estados Unidos estão reinstaurando o que chamou de “bloqueio iraniano”, o qual, segundo ele, impedirá apenas a entrada ou saída de navios ou clientes iranianos. “Todos os outros países terão um uso justo e aberto do estreito”, escreveu.
Trump declarou que os EUA passarão a ser conhecidos como “o guardião do Estreito de Ormuz” e afirmou que, por uma questão de equidade, o país será reembolsado com uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pela via, para cobrir os custos necessários com a segurança da região. O processo e a formação para a implementação da medida começarão imediatamente, disse o mandatário, sem detalhar como a cobrança será feita na prática nem qual mecanismo será usado para a arrecadação.
Escalada de tensão e ataques
O anúncio ocorre em um contexto de máxima tensão entre Washington e Teerã. Na noite de domingo para segunda-feira (12 para 13), os EUA realizaram novos bombardeios contra o Irã. Trump afirmou que as forças americanas atingiram “muito forte” o equipamento militar iraniano: “A maior parte de seu equipamento já não existe. Seus canhões antiaéreos, nós os atingimos muito forte na noite passada”.
Horas antes do anúncio de Trump, o exército iraniano já havia advertido os países do Golfo de que qualquer cooperação com os EUA no manejo do estreito seria considerada “um ato de guerra”. O porta-voz do comando militar Khatam Al-Anbiya afirmou que Teerã “sob nenhuma circunstância permitirá que os Estados Unidos interfiram no manejo” da via marítima. Os Guardiões da Revolução acusaram Washington de colocar em perigo o fornecimento global de petróleo e gás ao “interferir” no estreito e asseguraram que o Irã “seguirá exercendo sua soberania e a gestão” da zona.
O Comando Central dos EUA (Centcom) confirmou ter completado uma nova rodada de bombardeios contra sistemas de defesa aérea, radares costeiros e capacidades de mísseis e drones iranianos. A Guarda Revolucionária, por sua vez, reivindicou ataques contra bases americanas no Bahrein, Jordânia, Kuwait e Omã como represália. A escalada ocorreu semanas depois de os dois países assinarem um acordo interino de 60 dias, cuja continuidade agora está comprometida.
O Estreito de Ormuz
Com apenas 33 quilômetros em seu ponto mais estreito, o Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Mar de Omã e é considerado o corredor energético mais importante do mundo. Antes do conflito, cerca de um quinto do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito passava por ali. A proposta de uma taxa de 20% sobre a carga representa um salto sem precedentes na disputa pelo controle da passagem e antecipa novas fricções com os países que dependem dessa rota para seu comércio exterior.