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Trump ameaça Irã com retaliação militar se acordo definitivo não sair em 60 dias – Gazeta Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom contra o Irã nesta sexta-feira (19). O republicano advertiu que Teerã enfrentará novas e severas retaliações militares caso os dois países não alcancem um acordo definitivo dentro de um prazo de 60 dias. Ao mesmo tempo, Trump proclamou uma “vitória total” sobre o país persa após uma campanha militar que, segundo ele, pulverizou a marinha, a força aérea e os sistemas de defesa antiaérea iranianos.

As declarações foram dadas durante uma cerimônia de apresentação do novo Air Force One — doado pelo Catar — e em entrevista ao portal Axios.

“Temos o maior poder militar do mundo. Vocês viram o que aconteceu no Irã: em praticamente uma semana, destruímos toda a marinha, toda a força aérea e os radares deles. Arrasamos tudo”, disparou o mandatário.

Após a recente assinatura de um acordo provisório, Trump fixou o prazo de dois meses para a conclusão de um tratado definitivo. “Em 60 dias temos que chegar a um acordo; caso contrário, faremos coisas que não vão deixá-los nada felizes”, ameaçou, embora tenha ponderado que não acredita que a situação chegará a esse extremo.

Risco de depressão mundial e o papel de Xi Jinping

Trump ressaltou que uma nova escalada militar afetaria diretamente o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das vias marítimas mais estratégicas do planeta.

“Si continuarmos lançando bombas, aquela passagem será fechada automaticamente. Aqueles navios custam entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão a unidade, e seus donos não querem mísseis sobrevoando suas cabeças nem minas na água”, explicou o presidente, alertando que um bloqueio prolongado na região “poderia provocar uma depressão econômica mundial”.

O presidente americano também revelou bastidores diplomáticos, afirmando que pediu pessoalmente ao presidente da China, Xi Jinping, para não intervir no conflito — pedido que, segundo ele, foi aceito. “Quero agradecer à China porque pedi que não se envolvesse com o Irã. Eles obtêm 50% do seu petróleo daquele estreito, mas pedi para que ficassem de fora, e ele disse que não se envolveria. E assim foi”, disse Trump, classificando a postura do líder chinês como “muito correta”.

Detalhes das operações e “mudança de regime”

Ao descrever as ações militares, Trump detalhou o cerco que impôs um bloqueio naval total a Teerã e revelou que até o Paquistão chegou a pedir a interrupção dos bombardeios devido à proximidade geográfica.

Para o americano, o resultado prático da ofensiva equivale a uma troca de comando em Teerã. “Acho que, na realidade, é uma mudança de regime. Temos agora pessoas muito menos radicalizadas do que os dois grupos anteriores”, avaliou. Trump também comemorou o desempenho do mercado financeiro, destacando que a bolsa de valores de Nova York “está nas alturas” e que os preços do petróleo recuaram para patamares anteriores ao conflito. “A diferença é que o Irã nunca terá uma arma nuclear”, cravou.

Cancelamento de reuniões e descanso em Camp David

Apesar do otimismo de Trump, o cenário imediato na região ainda é incerto. As negociações que ocorreriam nesta sexta-feira na Suíça entre Washington e Teerã foram canceladas devido ao recrudescimento dos combates no Líbano. O impasse joga dúvidas sobre o cronograma de abertura do Estreito de Ormuz.

No entanto, Trump minimizou o adiamento em sua rede social, a Truth Social: “Nós não estamos nos reunindo por desespero, o Irã é quem está. Eles estão ACABADOS! Vamos deixar os 60 dias correrem. Eles não vão receber nem um centavo!”.

Após a semana agitada, Trump passará o fim de semana com a família em Camp David — o retiro presidencial oficial localizado nas montanhas Catoctin, em Maryland, a cerca de 113 quilômetros de Washington — para celebrar o Dia dos Pais.

De acordo com um funcionário da Casa Blanca, o presidente aproveitará a estadia para liderar reuniões políticas. Esta será apenas a segunda vez que Trump utiliza as instalações de Camp David desde que reassumiu a presidência, já que costuma preferir suas próprias propriedades, como o resort de Mar-a-Lago, na Flórida, ou seu clube de golfe em Bedminster, Nova Jersey. A última vez em que esteve no retiro de Maryland havia sido em junho de 2025, para deliberar com a cúpula militar sobre a crise na Faixa de Gaza e tensões migratórias.

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