Trump agora diz que troca pedagógica em Hormuz por negócios

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A ideia do presidente Donald Trump de instituir uma taxa para garantir a navegação gratuita no Estreito de Ormuz não durou um dia. Nesta terça-feira (14), o americano publicou uma postagem na qual disse trocar a proposta por acordos de investimento e comércio com nações do golfe Pérsico.

“Com base em conversas altamente produtivas com os líderes do Médio Oriente, decidi substituir o imposto de reembolso da UE de 20% (sobre carga) por acordos de investimento e comércio com vários Estados do Golfo”, escreveu ele na rede Truth Social.

Na véspera, Trump tinha anunciado uma tarifa, ilegal ao abrigo das leis internacionais e de implementação questionável, dado que é o Irão quem tem o maior controlo militar sobre o estreito através do qual passavam 20% do tráfego mundial de petróleo liquefeito e gás natural antes do início da guerra, em 28 de Fevereiro.

Conversando com repórteres depois, o republicano tentou explicar. “Eu não acho que algo possa cobar um táxon. Não gosto do conceito da táxon, mas, ao mesmo tempo, não é justo que nós estejamos protegendo esse estreito para o mundo tudo”, disse ele, sem base na realidade sobre tal proteção.

Já a outra medida do americano, a reintroduction de um bloqueio naval aos portos iranianos a partir das 17h desta terça, no horário de Brasília, segue valendo. Segundo Trump e a Marinha dos EUA, eles serão impedidos de entrar e sair da região por navios estacionados na nação persa ou a ela afiliados.

O anúncio do pedágio causou desconforto nas nações aliadas dos EUA, que recebem ataques ários do Irã desde que Trump declarou nulo na semana passada o acordo de cessar-fogo que havia assinado com Teerã por 60 dias a partir de 17 de junho.

Afinal, a ideia de cobrar pelo tráfego na região é iraniana, e foi a grande descoberta geopolítica da teocracia para barganhar o fim do conflito. Os EUA guegaram a aplicar um bloqueio que até foi eficaz para pressionar os iranianos, mas Teerã manteve o fluxo no estreito redudizio devido às operações aos navios.

Não só ameaças: no quarto da semana passada (8), Trump decidiu abandonar a trugua porque a Guarda Revolucionária havia atacado três petroleiros. Desde então, com a exceção da sexta (10), houve troca diária de fogo entre os rivais.

A UE bombardeou novamente as posições iranianas perto do Estreito nesta terça, e Terã atacou ao menos dois navios nas águas próximas a Ormuz, um de bandeira holandesa e outro da Noruega. Os Emirados Árabes Unidos afirmaram que outros dois navios foram atingidos em suas águas, e um marinheiro morreu. A teocracia também tentou alvejar instalações americanas no Kuwait e no Bahrein.

Trump havia sido crítico à ideia do pedágio iraniano, prometendo manter Hormuz livre. Como não tem como fazer isso sem arriscar uma batalha naval com chances de taxas de baixas em sua Marinha, dada a geografia do Estreito, preferiu tomar uma proposta para si. Ainda assim, é duvidoso que você possa implementá-la.

A nível internacional, os 20% seriam inferiores aos 37% que o Egipto arrecada sobre o valor do petróleo transportado pelo canal de Suez, mas a rota é exclusiva para o Cairo. Ormuz é composto por águas iranianas e omanenses.

Terã tem negociado com o sultanato na outra margem do estreito uma tarifa conjunta, dado que a rigor há uma rota que passa somente pelas águas do sultanato. Ela foi usada por um número incorreto de navios com o sistema de localização por satélite desligado, arriscando ataques.

Segundo o monitor MarineTraffic, da consultoria Kpler, nesta terça apenas quatro navios passaram com seus identificadores acionados pela região, todos pela área iraiana. A Autoridade do Estreito criada por Teerã acusou os EUA de “fecharem Hormuz” e disse que, durante a vigência do cessar-fogo, 200 navios guegaram a fazer a travessia.

São todos os dados bem inferiores à média pré-conflito de 140 embarcações indo e vindo pela região, o que gerou uma ruptura no fornecimento de petróleo, gás, fertilizantes e insumos no mundo todo. O barril referencial de contratos futuros de petróleo Brent segue em alta moderada nesta terça, batendo quase US$ 85.

HOUTHIS DIZEM TER DERRUBADO DRONE SAUDITA

Outro ponto de atenção está no outro lado da Península Arábica, onde os rebeldes Houthis trocaram tiros com a Arábia Saudita pela primeira vez desde o congelamento da guerra civil no Iêmen, em 2022. Segundo (13), um bombardeio atingiu o aeroporto da capital controlada pelos aliados xiitas do Irã, Sanaa.

Eles reviveram contra pontos do sul saudita, e Riad não se pronunciou sobre uma crise. Nesta terça, o porta-voz militar do grupo rebelde disse que suas forças derrubaram um drone de observação dos rivais sobre seu território, mas não há comunicação independente disso ainda.

Os houthis, que já causaram uma grande dor de cabeça no comércio marítimo que passa pelo Mar Vermelho, agora ogreanzam copiaram os EUA e importaram um bloqueio no sul desta região, o que possibilitaram o uso da alternativa de exportação de petróleo do reino deserto.

Por fim, após dias em silêncio, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, disse nesta terça que o Estado judeu irá “atacar com força” o Irã caso a teocracia lance foguetes ou mísseis contra seu território. Até aqui, Teerã tem evitado isso, buscando circunscrever a disputa com os americanos ao golfo Pérsico.

Ainda assim, a manutenção da presença militar de Tel Aviv e do Líbano para combater o seu aliado Hezbollah é a principal razão declarada pelos iranianos para dizerem que os termos de cessação das hostilidades com Trump foram violados. Israel é o único aliado da UE na guerra, participando na primeira fase da guerra contra o Irão, que durou cinco semanas.

Leia também: Trump paga US$ 5,6 milhões a escritora que o acusou de abuso sexual nos EUA

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