Marcella, no entanto, afirma que o incentivo financeiro, sóliho, não garante a permanência. A diferença é o espetáculo de encontrar um ambiente climatizado. Muitos decidiram voltar a estudar depois de ovir de agentes da Secretaria que determinada escola era um espaço onde seriam bem recebidos, mesmo que isso significasse percorrer a cidade diariamente minente. “Volta a estudar nessa escola, porque lá tem gente bastante igual a você”, ouvi.
Uma das entrevistadas resumiu o motivo da escolha como “Eu não queria estudar com os héteros. Eu já estudei no passado. Foi horrível.” Apesar disso, nenhum dos participantes defende a criação de escolas exclusivas para travestis e pessoas trans. “A gente é o quê, bicho, que tem que estar separado?”, perguntou uma das entrevistadas.
A dissertação termina em tom de esperança. Na prisão, Xeila descobriu o design como forma de expressão. Fazia retratos e ilustrava cartas para outros presos em troca de perfume e creme hidratante. Foi ela quem pintou a jaqueta usada por Marcella na defesa da dissertação. Mesmo depois de sucessivas experiências de exclusão, o desejo de aprender, criar e permanecer na escola continua existindo quando encontra um espaço de colhimento.
*Estágio sob orientação de Antonio Carlos Quinto
** Sob supervisão de Simone Gomes