O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se manifestou favorável ao fim da reeleição para cargos do Poder Executivo como parte de uma reforma política. A declaração foi feita durante entrevista coletiva na manhã desta terça-feira, 7 de abril de 2026, na cidade de Franco da Rocha, na Grande São Paulo.
Tarcísio, que é pré-candidato à reeleição ao governo paulista, afirmou que o atual modelo de recondução “está fazendo mal para o Brasil”. Segundo ele, a possibilidade de disputar um novo mandato consecutivo estimula gestores a priorizarem interesses eleitorais em detrimento de decisões estruturais de longo prazo.
“A gente tem
que questionar neste momento em que medida a reeleição está ajudando ou não o país”, declarou o governador. Em que medida uma pessoa que entra consegue estabelecer uma visão de longo prazo ou fica muito refém da possibilidade de reeleição, perdendo tempo deixando de fazer aquilo que precisa de fato ser feito. É um questionamento que faço. Hoje acho que a reeleição está fazendo mal para o Brasil”, disse.
Contexto do debate nacional e propostas em tramitação
A discussão sobre o fim da reeleição ganhou força no cenário político nacional, especialmente em meio às articulações para as eleições de 2026. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é um dos defensores de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a recondução ao cargo. O texto propõe mandato único de cinco anos para presidente, governadores e prefeitos, com vigência a partir de 2030.
A PEC de Flávio Bolsonaro, no entanto, prevê o fim apenas da reeleição presidencial, mantendo a regra para os demais cargos do Executivo. A proposta conta com apoio de senadores de sete legendas: PL, PP, Republicanos, União Brasil, Novo, Podemos e MDB.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, disputará a reeleição à Presidência em 2026, dentro das regras atuais.
Críticas ao modelo vigente
Críticos do sistema atual, como Tarcísio de Freitas, argumentam que a possibilidade de reeleição estimula medidas de curto prazo e de caráter populista, com reflexos diretos nas contas públicas.
A regra atual combina a previsão constitucional de recondução com as disposições da Justiça Eleitoral: ocupantes de cargos do Executivo que desejam concorrer a outro mandato precisam renunciar ao cargo atual, com exceção justamente daqueles que buscam a reeleição para o mesmo posto.