O desempenho do comércio varejista de Santa Catarina no início deste ano vai além de um simples dado estatístico. Ao registrar crescimento de 3,4% no primeiro bimestre, mais que o dobro da média nacional, o Estado reafirma uma característica que há tempos o distingue: a capacidade de transformar estabilidade institucional e ambiente favorável em resultados concretos para a economia.
Os números divulgados revelam um ciclo virtuoso em funcionamento. Emprego em alta, renda circulando e confiança do consumidor são elementos que se retroalimentam, criando um cenário propício para o avanço das vendas.
Não por acaso, setores diretamente ligados ao cotidiano das famílias, como supermercados e farmácias, apresentam bom desempenho, ao mesmo tempo em que áreas como tecnologia e comunicação disparam, sinalizando uma sociedade cada vez mais conectada e demandante de inovação.
Ainda assim, é preciso evitar a tentação do triunfalismo. O crescimento expressivo não ocorre em um vácuo, mas em um contexto nacional e internacional marcado por incertezas.
A diferença, no caso catarinense, parece residir na consistência de políticas públicas voltadas ao estímulo do empreendedorismo, à atração de investimentos e à manutenção de um ambiente de negócios previsível. Esses fatores ajudam a explicar por que o estado supera não apenas a média brasileira, mas também economias mais robustas, como São Paulo e Minas Gerais.
Outro aspecto relevante é a diversidade da base econômica. Santa Catarina não depende de um único setor para sustentar seu crescimento. O avanço simultâneo em segmentos distintos, do varejo tradicional ao ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, demonstra uma economia equilibrada, menos vulnerável a oscilações pontuais e mais preparada para enfrentar períodos de instabilidade.
No entanto, o desafio que se impõe é o da sustentabilidade desse crescimento. Manter o ritmo exige mais do que celebrar bons indicadores: demanda continuidade de políticas eficazes, investimentos em infraestrutura e atenção às transformações do mercado, especialmente no campo digital. Além disso, é fundamental garantir que os benefícios desse desempenho cheguem de forma ampla à população, reduzindo desigualdades e ampliando oportunidades.
O resultado do primeiro bimestre é um sinal positivo. Mas, mais do que isso, deve ser encarado como um compromisso: o de preservar as condições que permitiram esse avanço e de aprimorar, continuamente, o modelo que tem colocado Santa Catarina em posição de destaque no cenário econômico nacional.