As eleições de 2026 no Espírito Santo para o Governo do Estado tendem a uma forte polarização política, sobretudo entre os candidatos Ricardo Ferraço (MDB) e Lorenzo Pazolini (Republicanos), o que pode levar a um possível segundo turno.
Para este ano, dois fatores podem contribuir para este cenário: a ausência de um nome capaz de reunir a maioria absoluta dos votos no primeiro turno (ou seja, mais de 50%), e a alta taxa de indecisão entre os eleitores.
É o que revelam algumas das mais recentes pesquisas de intenção de voto. A primeira, realizada pelo Real Time Big Data e divulgada na última terça-feira (9), elaborou dois cenários possíveis para o primeiro turno. Em ambos, Ricardo Ferraço (MDB) aparece liderando a disputa, mas com menos de 40% das intenções de voto.
Cenário 1
- Ricardo Ferraço (MDB) – 39%
- Lorenzo Pazolini (Republicanos) – 33%
- Helder Salomão (PT) – 10%
- Nulo/Branco – 8%
- Não sabe/Não respondeu – 10%
Cenário 2
- Ricardo Ferraço (MDB) – 36%
- Lorenzo Pazolini (Republicanos) – 28%
- Magno Malta (PL) – 14%
- Nulo/Branco – 8%
- Não sabe/Não respondeu – 4%
Caso o cenário se confirme, é provável que haja uma disputa no segundo turno entre Ferraço e Pazolini. De acordo com a pesquisa de intenção de voto feita pelo Real Time Big Data, se isso se confirmar, o emedebista venceria a corrida ao Palácio Anchieta com 43% dos votos. Pazolini, por sua vez, teria 37%.
Segundo turno no Espírito Santo: Ricardo Ferraço (à esquerda) e Lorenzo Pazolini (à direita) lideram pesquisas de intenção de voto para governadorFoto: Cid Costa/Governo-ES, Tati Beling/Ales/Divulgação/ND MaisUm outro levantamento, que foi realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas e divulgado em março, mostra Pazolini liderando a disputa para Governo do Estado com 42% das intenções de voto. Ferraço, por sua vez, aparece com 36,1%. Em uma disputa de segundo turno, o candidato republicano venceria o pleito.
É perceptível, a partir do levantamento feito pelas duas pesquisas, que existe uma tendência de polarização entre Ferraço e Pazolini. Além disso, a vantagem de um em comparação ao outro é muito pequena, o que reforça a perspectiva de um segundo turno para as eleições no Espírito Santo.
Outro fator que pode contribuir para o cenário é a taxa de indecisão. Isso porque a pesquisa realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas também revelou que 69,4% dos eleitores capixabas entrevistados ainda não decidiram em quem vão votar para governador do Estado nas eleições deste ano. Acontece que, muitos desses eleitores, por estarem indecisos, têm grandes chances de se abster ou votar em branco/nulo, o que impediria vitórias folgadas logo no primeiro turno.
Segundo turno no Espírito Santo: as últimas eleições para governador
Segundo turno no Espírito Santo: Renato Casagrande (PSB) e Carlos Manato (PL) protagonizaram os principais embates nas eleições para governador em 2018 e 2022Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados/Hélio Filho/SecomCenário diferente do apresentado acima aconteceu com Renato Casagrande (PSB), atual pré-candidato ao Senado, em 2022. Na época, em uma das últimas pesquisas de intenção de voto realizada antes das eleições de outubro, Casagrande liderava com folga a disputa para o Palácio Anchieta, com 53% das intenções de voto, o que indicava que o então candidato tinha grandes chances de comemorar a vitória logo no primeiro turno.
Carlos Manato (PL), por sua vez, que era o embate direto de Casagrande nas eleições daquele ano, tinha apenas 18% das intenções de voto.
Mas, como o jogo político é dinâmico e cheio de reviravoltas, a realidade das urnas foi diferente: o primeiro turno se encerrou com 46,94% dos votos válidos para Casagrande, e 38,48% para Manato.
Casagrande levou o segundo turno daquele ano, mas a vitória foi de certa forma apertada: 53,8% dos votos válidos para o socialista, contra 46,2% para Manato.
O resultado das urnas foi uma surpresa, sobretudo para a base governista, pois Casagrande e Manato já haviam disputado as eleições de 2018 para o Palácio Anchieta. Mas, diferente de 2022, naquele ano Casagrande venceu Manato no primeiro turno, com 55,49% dos votos.
Ao analisar as duas últimas eleições para governador, também é possível observar outra tendência comum no Espírito Santo: governadores que ganham no Estado não necessariamente seguem o mesmo espectro político do favorito à Presidência da República. Isso porque Jair Bolsonaro (PL) foi o candidato preferido entre os capixabas nas eleições de 2018 e 2022, ao passo que, para o Palácio Anchieta, o eleitor preferiu Casagrande, um político cujo partido é mais ligado à ideologia de centro-esquerda.
Vale pontuar também que Carlos Manato foi um nome apoiado por Bolsonaro para governador do Espírito Santo em 2018 e 2022, mas, mesmo assim, o político não conseguiu desbancar Casagrande.
O peso das abstenções, nulos e brancos
Segundo turno no Espírito Santo: alta porcentagem de votos nulos, brancos e abstenções surpreende Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/ND MaisOutro fator que pode levar as eleições de 2026 no Espírito Santo ao segundo turno é o peso dos votos nulos e brancos, bem como das abstenções, o que impede vitórias folgadas logo na primeira etapa da disputa.
Sem dúvidas, o número de abstenções nas últimas eleições é um fator que vem chamando atenção. Para se ter uma ideia, no segundo turno das eleições municipais de 2024, a abstenção na Serra, maior colégio eleitoral do Estado, ficou em 33,17%. Ou seja, mais de 120 mil eleitores não compareceram às urnas.
Já nas eleições gerais de 2022, dos quase 3 milhões de eleitores capixabas aptos a votar, 606 mil (20%) optaram por não comparecer às urnas no primeiro turno. Isso significa que um a cada cinco eleitores aptos não saíram de suas casas naquele ano para votar. No segundo turno, a taxa de abstenção também ficou em torno de 20%.
Além disso, de acordo com o painel de estatísticas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), os votos nulos e brancos em 2022 somaram 213 mil. Ou seja, 819 mil votos foram “perdidos” naquele ano e não foram convertidos em mandato.
A apatia pelo processo eleitoral por parte de grande parcela dos capixabas configura-se como um risco à democracia, além de ser um dos desafios que candidatos e partidos terão em 2026. Afinal, conquistar essa parcela do eleitorado é fundamental para evitar uma disputa em segundo turno.