A produtora Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, entregou à Polícia Federal um conjunto de aproximadamente 25 mil páginas de documentos relacionados aos gastos da produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A entrega ocorreu na tarde desta sexta-feira (4) e foi protocolada diretamente no gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
Documentos e defesa da produtora
O material entregue inclui contratos, notas fiscais e comprovantes bancários que, segundo interlocutores da defesa, comprovam que todos os recursos destinados à produção no Brasil foram investidos corretamente no filme. A apresentação da prestação de contas foi feita de forma voluntária, após um atraso em relação à previsão inicial de 28 de agosto.
A defesa de Karina adotou a postura de “total transparência e publicidade de todos os procedimentos e elementos” diante das suspeitas que envolvem a produção. Os documentos foram solicitados pela PF em agosto para identificar gastos, origem dos recursos e fontes de financiamento do filme.
Dados dos EUA não foram entregues
Apesar da entrega do volumoso material, os documentos não contêm informações sobre os custos do braço norte-americano da produção. Segundo a CNN Brasil, o sócio da produtora nos Estados Unidos afirmou que só entregará esses dados se a Justiça americana assim determinar.
Investigação
O caso “Dark Horse” tramita no STF sob relatoria de André Mendonça e investiga os repasses financeiros ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do extinto Banco Master, e a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas negociações para obter fundos para a cinebiografia do pai. Com os novos documentos, os investigadores poderão confrontar as informações contábeis fornecidas pela produtora com registros bancários e outros materiais já apreendidos no inquérito.