A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, criticou a visita do presidente da Rússia, Vladimir Putin, à ilha de Etorofu, localizada no arquipélago das Ilhas Curilas. O território controlado pelo governo russo é reinvindicado pelos japoneses.
Sanae diz ter recebido um relatório que comprovou a primeira visita de Putin ao arquipélago. A agenda reacendeu tensão entre os países.
A ida de Putin à região contraria sucessivas advertências de Tóquio. Segundo a primeira-ministra, desde janeiro de 2024, quando o presidente russo declarou a intenção de viajar ao arquipélago, o governo japonês comunicou à Rússia que a visita não deveria acontecer.
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De acordo com a chefe de governo, o Japão reivindica as Ilhas Curilas como território inerentemente japonês, com base no direito internacional e no contexto histórico.
Ela classificou a visita do líder russo como “absolutamente inadmissível” e afirmou que a ação é incompatível com a posição diplomática do Japão.
A primeira-ministra declarou que o ato fere os sentimentos da população japonesa e afeta o cenário diplomático bilateral. As relações entre o Japão e a Rússia já registram tensão e desgaste em decorrência da invasão russa ao território da Ucrânia.
Ilha de Etorofu fica no arquipélago das Ilhas Curilas.Foto: Reprodução/ND MaisSegundo a autoridade japonesa, a incursão de Putin à ilha de Etorofu agrava o sentimento anti-Rússia no Japão e dificulta de forma inevitável a recuperação das relações entre as duas nações a médio e longo prazo.
O que diz Putin sobre tensão com Japão sobre território?
Em comunicado, o presidente Vladimir Putin diz que a Rússia não representa ameaça ao Japão, mesmo o país asiático tem listado a nação vizinha como entre seus principais adversários.
“Gostaria de salientar que não estamos ameaçando o Japão. Não temos absolutamente nenhuma reivindicação contra ele. Pelo contrário, o Japão tem reivindicações territoriais sobre o nosso país, refiro-me à questão das Ilhas Curilas. Contudo, isso está consagrado em documentos internacionais como uma realidade que surgiu após a Segunda Guerra Mundial. Mas mesmo nesse caso, a Rússia estava disposta a buscar uma solução por meio de um tratado de paz com o Japão”, afirmou em discurso publicado pelo Kremlin.