Memória do conde Charles Spencer afirma que a soberana propôs restaurar o tratamento perdido após o divórcio, mas ele rejeitou a oferta por considerá-la um “prêmio de consolação” sem sentido após a morte da princesa
A rainha Elizabeth II ofereceu restaurar o título de “Sua Alteza Real” (HRH) da princesa Diana no mesmo dia de seu funeral, em 1997, segundo revelações do livro de memórias do conde Charles Spencer, irmão da princesa. A informação foi publicada pelo Daily Mail, que serializa a obra intitulada Swan Song: Diana, My Sister.
De acordo com o relato de Spencer, a oferta foi transmitida por Robert Fellowes, secretário particular da rainha e cunhado do conde, durante a viagem de trem rumo ao enterro privado de Diana em Althorp, propriedade da família Spencer em Northamptonshire. “Quando havíamos percorrido algumas milhas, Robert me chamou para um canto tranquilo do vagão. ‘Acabei de receber uma ligação de Sua Majestade… e ela gostaria de oferecer a Diana seu título de HRH de volta’”, escreve o conde.
Diana perdeu o tratamento de “Sua Alteza Real” após o divórcio de Charles, em agosto de 1996, passando a ser chamada apenas de “Diana, Princesa de Gales”. Segundo Spencer, a decisão foi vivida pela irmã como “terrivelmente dolorosa” e resultado de uma atitude “mesquinha e vingativa”.
Apesar da oferta da rainha, Spencer decidiu rejeitá-la. “Senti que sabia em meus ossos como ela veria essa homenagem póstuma”, escreve. “Isso é muito gentil da rainha, claro. Mas qual é o sentido, Robert? Agora? Quero dizer — Diana está morta.” O conde afirma que a decisão foi tomada porque o título “nunca deveria ter sido removido durante sua vida, e nesse caso não teria sido necessário oferecê-lo a ela na morte”.
Outras revelações do livro
O livro de Spencer também traz outras alegações sobre o casamento de Diana e Charles. O conde escreve que, um mês antes do casamento, Diana disse ao pai que não poderia levar adiante a união, mas foi informada de que seria “impossível desistir”. Na véspera da cerimônia, Charles teria dito a Diana que estava feliz por se casar, mas que não estava apaixonado por ela.
Segundo o relato, Diana ficou tão infeliz que considerou o suicídio e dirigiu “mais de uma vez” até os penhascos de Beachy Head, em East Sussex. O conde também afirma que, dias após a morte de Diana em um acidente de carro em Paris, Charles teria dito: “Fiquem tranquilos, vamos esquecê-la logo o suficiente”.
Reação do Palácio
A alegação sobre o comentário de Charles após a morte de Diana gerou uma reação pública incomum do Palácio de Buckingham. Em nota, a realeza afirmou que, embora não comente livros por princípio, “Sua Majestade está ciente de que a dor do luto fraterno pode turvar a razão, afetar o julgamento e colorir a memória de maneiras que outros não reconhecem, mesmo muitos anos após tal perda”.
A resposta foi comparada por comentaristas à famosa declaração da rainha Elizabeth de que “as lembranças podem variar”, feita após a entrevista do príncipe Harry e Meghan Markle a Oprah Winfrey em 2021. Um assessor real descreveu o relato do conde à BBC como uma “alegação demonstravelmente falsa” sobre um homem “profundamente compassivo”.
Julian Payne, ex-secretário de comunicação do rei, afirmou que Charles instruiu sua equipe a nunca criticar Diana por anos após sua morte. “Ele foi absolutamente enfático de que devíamos respeitar sua memória e não miná-la de forma alguma”, disse Payne à BBC Radio 4.