Um drone ucraniano atingiu, nesta quarta-feira (9), uma planta de processamento de gás natural na cidade de Novy Urengoy, localizada no distrito autônomo de Yamalo-Nenets, no Ártico russo. O ataque marcou o de maior alcance desde o início do conflito, tendo percorrido entre 2.800 e 3.300 quilômetros a partir da fronteira com a Ucrânia e provocado um incêndio na instalação, conforme informaram autoridades locais e agências internacionais.
O alvo e a extensão do ataque
De acordo com o governador de Yamalo-Nenets, Dmitri Artiujov, a ofensiva foi repelida, mas a queda de destroços do drone gerou um incêndio na planta. Não houve registro de vítimas, e os funcionários foram evacuados do local. Artiom Zhoga, representante do Kremlin no distrito federal dos Urais, confirmou que este foi o primeiro ataque contra a porção ártica da região desde o início da invasão.
Veículos de imprensa da Ucrânia identificaram o alvo como a Planta de Processamento de Condensado de Novy Urengoy, pertencente à Gazprom, com capacidade para processar cerca de 19,5 milhões de toneladas de matéria-prima por ano. A Gazprom não emitiu pronunciamento oficial sobre o caso. A região de Yamalo-Nenets responde por aproximadamente 80% da produção de gás natural da Rússia e figura como o ponto de origem projetado para o gasoduto Força da Sibéria 2, cujo memorando foi firmado entre a Gazprom e a estatal chinesa CNPC em setembro de 2025.
Maior alcance já registrado
A ação superou o recorde anterior de distância na guerra, registrado em julho deste ano, quando drones ucranianos atingiram a refinaria de Omsk, situada a cerca de 2.500 quilômetros da fronteira. Segundo o portal independente Agentstvo News, o ataque utilizou uma versão modificada do drone FP-1, desenvolvido pela empresa ucraniana Fire Point, com alcance estimado em 2.700 quilômetros, enquanto a instalação em Novy Urengoy distava 2.800 quilômetros do território ucraniano.
A Ucrânia tem intensificado operações de longo alcance contra a infraestrutura energética russa nos últimos meses. De acordo com a BBC, até outubro de 2025, 21 das 38 grandes refinarias russas já haviam sido alvo de ataques desde o início daquele ano. Em junho deste ano, a revista The Economist calculou 685 ataques ucranianos de longo alcance ao longo de 2025 e projetou mais de 800 para 2026. Estimativas divulgadas pela Reuters em abril apontavam que a capacidade de refino russa havia sofrido uma queda de 17%, equivalente a 1,1 milhão de barris diários.
Contexto da guerra
O episódio acontece em meio ao recrudescimento dos bombardeios russos contra o território ucraniano e à estratégia de Kiev de elevar o custo econômico da guerra para Moscou, atingindo o setor de energia que financia o governo de Vladimir Putin. Em paralelo, a Rússia ampliou a importação de combustíveis refinados para assegurar o abastecimento interno, enquanto diversas regiões do país enfrentam restrições e cortes na distribuição de gasolina e diesel.