Naked de média cilindrada preserva o motor FlexOne de 293,5 cm³, mas recebe HSTC, nova suspensão Showa SFF-BP, melhorias no painel e recursos de segurança.
A Honda promove uma das evoluções mais significativas da CB300F Twister desde a chegada da atual geração ao mercado brasileiro. Na linha 2027, a naked mantém a conhecida base mecânica, formada pelo motor monocilíndrico FlexOne de 293,5 cm³ e pelo chassi tubular de aço tipo Diamond, mas dá um salto importante em tecnologia, ciclística e segurança.
Entre as principais novidades estão a introdução do HSTC — Honda Selectable Torque Control, sistema de controle de tração até então mais associado às motocicletas de maior cilindrada da fabricante, e a estreia da suspensão dianteira invertida Showa SFF-BP. A Honda também reorganizou a gama: a antiga versão CBS deixa de existir e o ABS passa a equipar toda a linha.
A oferta agora começa pela CB300F Twister ABS, enquanto a configuração superior passa a se chamar CB300F Twister S, que aposta em elementos visuais específicos para reforçar o caráter esportivo do modelo.
A estratégia adotada pela Honda foi atualizar profundamente equipamentos e ciclística sem modificar de forma significativa dois componentes centrais da personalidade da CB300F: motor e chassi.
É uma decisão que preserva características importantes para o consumidor brasileiro, como simplicidade mecânica, economia de combustível, facilidade de manutenção e boa disponibilidade de torque em baixas e médias rotações, ao mesmo tempo em que aproxima a Twister de motocicletas tecnologicamente mais sofisticadas.
A combinação também reforça uma característica histórica do modelo: ocupar uma posição intermediária entre motocicletas de utilização essencialmente urbana e máquinas de maior cilindrada e desempenho.
Para quem utiliza a moto diariamente, continuam relevantes aspectos como baixo peso, facilidade de condução e racionalidade de manutenção. Para quem busca uma pilotagem mais esportiva, suspensão invertida, controle de tração, ABS e embreagem assistida e deslizante ampliam os recursos disponíveis.
Um dos pontos de maior destaque da Twister 2027 é a chegada do HSTC — Honda Selectable Torque Control.
O sistema monitora a diferença de velocidade entre as rodas e atua quando identifica tendência de perda de aderência do pneu traseiro durante as acelerações. Na prática, o recurso ajuda principalmente sobre superfícies de menor aderência, como pavimento molhado ou escorregadio.
A tecnologia representa um avanço especialmente relevante para uma motocicleta desta faixa de cilindrada, aumentando a margem de segurança no uso cotidiano sem descaracterizar a proposta dinâmica do modelo.
O sistema trabalha em conjunto com outros recursos já importantes na motocicleta, como a embreagem assistida e deslizante. Além de reduzir o esforço necessário no acionamento da alavanca, esse tipo de embreagem auxilia no controle da roda traseira durante reduções mais agressivas de marcha.

Apesar da ampliação do pacote eletrônico, a Honda preservou praticamente sem alterações o conhecido monocilíndrico da Twister.
O propulsor tem 293,5 cm³, comando simples no cabeçote — OHC —, quatro válvulas e arrefecimento a ar. Equipado com a tecnologia FlexOne, pode utilizar gasolina, etanol ou diferentes proporções entre os dois combustíveis.
Com etanol, entrega 24,7 cv a 7.500 rpm e torque máximo de 2,67 kgf.m a 5.500 rpm. Abastecido com gasolina, são 24,5 cv e 2,61 kgf.m, respectivamente.
O câmbio continua tendo seis velocidades.
Uma das características construtivas desse motor é a utilização de balancins roletados no acionamento das quatro válvulas. A arquitetura OHC também contribui para um cabeçote mais compacto em comparação com configurações DOHC, mantendo a proposta de simplicidade mecânica da Twister.
O conjunto atende às exigências do PROMOT 5, fase 2, legislação brasileira responsável pelos limites de emissões de poluentes para motocicletas.

Se o motor mantém a fórmula conhecida, a ciclística recebe uma transformação considerável.
A CB300F Twister 2027 estreia uma suspensão dianteira invertida Showa SFF-BP, equipada com tubos de 38 mm. O curso da roda dianteira é de 130 mm.
Além do impacto visual — reforçado pelos tubos externos dourados —, a solução aproxima tecnicamente a Twister de motocicletas esportivas e de maior cilindrada.
A arquitetura invertida oferece maior rigidez estrutural ao conjunto dianteiro e pode contribuir para maior precisão nas mudanças de direção e nas frenagens, além de melhorar o comportamento da motocicleta em diferentes condições de utilização.
Outra mudança aparece nas mesas da suspensão dianteira, agora produzidas em alumínio forjado, reduzindo peso no conjunto.
O chassi permanece sendo uma estrutura tubular de aço do tipo Diamond, configuração conhecida pela combinação entre resistência e agilidade.
Na traseira, a Twister utiliza monoamortecedor ligado diretamente à balança de aço, com mola de duplo estágio. O curso da roda traseira é de 120 mm.

Outra mudança importante para 2027 é o fim da CB300F equipada apenas com sistema CBS.
Com isso, o ABS passa a ser padrão em todas as versões da Twister.
Na dianteira, o sistema utiliza disco de 276 mm associado a cáliper de pistão duplo. Atrás, há disco de 220 mm e cáliper de pistão simples.
A motocicleta continua equipada com rodas de liga leve de 17 polegadas e pneus radiais sem câmara.
As medidas são 110/70 R17 na dianteira e 150/60 R17 na traseira.
A mudança elimina uma diferença importante de segurança entre as versões e posiciona o ABS como equipamento básico da família CB300F.
O pacote de segurança foi ampliado ainda com a adoção do ESS — Emergency Stop Signal.
Em uma frenagem brusca, o sistema aciona automaticamente e de forma intermitente os indicadores de direção dianteiros e traseiros, ajudando a alertar os veículos que seguem atrás sobre uma situação de emergência.
Os indicadores dianteiros também passam a permanecer acesos continuamente, funcionando de maneira complementar como luzes de posição e aumentando a percepção visual da motocicleta no trânsito.
Todo o sistema de iluminação permanece em LED.
O painel digital LCD blackout também evoluiu.
A novidade é a adoção da tecnologia chamada Optical Bonding, na qual uma resina especial é utilizada na união entre a tela LCD e sua superfície externa de proteção.
A eliminação do espaço de ar entre essas camadas ajuda a reduzir reflexos causados pela incidência direta de luz solar, favorecendo a leitura das informações durante a pilotagem.
O painel reúne velocímetro digital, conta-giros, indicador de marcha, nível de combustível, relógio, hodômetro total, trips A e B e computador de bordo.
Entre as funções disponíveis estão consumo médio, consumo instantâneo, autonomia estimada e velocidade média.
A tomada USB-C permanece disponível para alimentação de smartphones ou dispositivos de navegação.
Outro equipamento presente na Twister 2027 é o HISS — Honda Ignition Security System.
O sistema utiliza uma chave equipada com chip eletrônico reconhecido pelo módulo de ignição da motocicleta. Sem essa identificação, o motor não pode ser acionado.
A ergonomia também recebeu atenção.
Os suportes do guidão passam a utilizar coxins, enquanto o próprio guidão teve seu formato revisto. A proposta é reduzir a transmissão de vibrações e melhorar tanto o conforto quanto o controle da motocicleta.

As mudanças não ficaram restritas à eletrônica e à ciclística.
A CB300F Twister 2027 recebe novas carenagens laterais junto ao tanque, agora mais proeminentes, além de um para-lama dianteiro redesenhado.
O objetivo é acentuar visualmente o perfil de streetfighter da motocicleta.
O tanque continua cercado por elementos plásticos responsáveis tanto pela identidade visual quanto pela ergonomia. O desenho busca oferecer uma área de contato adequada para as pernas, aspecto importante principalmente em condução mais esportiva.
Banco bipartido, lanterna traseira afilada e conjunto óptico dianteiro em LED completam a identidade conhecida da atual geração.

No topo da família está agora a CB300F Twister S.
Mecanicamente, ela mantém os principais componentes da versão ABS, mas recebe elementos exclusivos destinados a criar uma identidade mais esportiva.
Entre eles estão grafismos específicos, frisos vermelhos nas rodas, mola traseira também em vermelho e uma capa de rabeta que substitui visualmente o assento destinado ao passageiro.
O banco do garupa, porém, acompanha a motocicleta como item de série, permitindo retornar à configuração para duas pessoas.
A versão ABS utiliza mola traseira amarela, criando mais um elemento de diferenciação visual entre os modelos.
A Honda informa que a linha CB300F Twister 2027 estará disponível na rede de concessionárias a partir de agosto.
A versão de entrada passa a ser a:
Honda CB300F Twister ABS — R$ 26.880
Disponível nas cores Vermelho Metálico e Preto Metálico.
Já a configuração de topo será a:
Honda CB300F Twister S — R$ 27.680
Disponível na cor Azul Metálico.
Os valores correspondem ao preço público sugerido para São Paulo/SP e não incluem despesas com frete ou seguro.
A linha conta com três anos de garantia, sem limite de quilometragem.
O plano também prevê fornecimento gratuito de óleo Pro Honda em sete revisões, benefício válido a partir da terceira revisão.
Após a primeira manutenção, prevista para 1.000 quilômetros ou seis meses, os intervalos passam a ocorrer a cada 6.000 quilômetros ou seis meses, prevalecendo o que acontecer primeiro.
A Honda optou por não transformar completamente a CB300F Twister, mas por aperfeiçoar justamente os pontos capazes de ampliar sua competitividade.
A manutenção do motor FlexOne de 293,5 cm³ preserva uma mecânica já conhecida pelo mercado brasileiro, enquanto a adoção de controle de tração, suspensão dianteira invertida, ABS em todas as versões, ESS e melhorias no painel introduz um pacote tecnológico significativamente mais sofisticado.
É principalmente nesse equilíbrio que está a importância da linha 2027.
A Twister continua sendo uma naked de média cilindrada voltada tanto à rotina urbana quanto ao motociclista que procura uma moto de entrada para uma utilização mais esportiva. Entretanto, passa a oferecer recursos que até pouco tempo estavam concentrados em categorias superiores.
A retirada da versão CBS também sinaliza uma evolução importante no segmento: o ABS deixa de representar apenas um diferencial de uma configuração superior e passa a integrar o padrão de segurança da família.
Com a CB300F Twister 2027, a Honda preserva uma fórmula consolidada no mercado brasileiro, mas eleva consideravelmente o nível tecnológico da motocicleta — e, consequentemente, estabelece uma nova referência para a disputa entre as naked de média cilindrada.