Empresas exigem garantia financeira para cobrir prejuízos com atraso na fusão avaliada em US$ 110 bilhões; 12 estados americanos tentam barrar o negócio
A Paramount e a Skydance apresentaram um pedido à Justiça Federal dos EUA nesta segunda-feira (17) para exigir que os 12 estados que contestam a aquisição da Warner Bros. Discovery depositem uma fiança de US$ 1,88 bilhão (cerca de R$ 9,8 bilhões). O valor serviria para cobrir os custos e prejuízos causados pelo atraso na conclusão da fusão, avaliada em US$ 110 bilhões (R$ 574 bilhões).
De acordo com a Paramount, a empresa terá de pagar uma multa de US$ 7 milhões por dia caso a fusão não seja concluída até 30 de setembro. A companhia observou que o julgamento do processo movido pelos estados está marcado para março e, até a apresentação dos memoriais finais em abril, já terá desembolsado cerca de US$ 1,3 bilhão em “taxas de aceleração” aos acionistas da Warner Bros. — valores que não poderão ser recuperados.
Prazo regulatório e custos adicionais
A Paramount também destacou que a aprovação do Departamento de Justiça dos EUA para o acordo expira em 19 de fevereiro. A exigência da fiança busca garantir que a empresa possa recuperar perdas caso o tribunal acabe aprovando o negócio no fim do processo. Segundo a empresa, os estados possuem “recursos amplos” para arcar com o valor.
Além de estimar US$ 1,7 bilhão em “taxas de aceleração” até 1º de junho, a Paramount projeta um custo adicional de US$ 190 milhões em financiamento caso a fusão seja adiada até junho de 2027. No final de julho, a empresa concordou em pausar temporariamente a aquisição até a decisão judicial.
Ação judicial dos estados e ameaça ao negócio
A Califórnia e outros 11 estados ingressaram com a ação em 13 de julho, argumentando que a fusão criaria um gigante da mídia com poder excessivo para elevar preços no cinema e na televisão. O Sindicato dos Roteiristas da América (WGA) também acionou a Justiça contra o negócio.
Segundo análise da agência Reuters, processos semelhantes costumam levar cerca de oito meses até uma decisão final. A disputa judicial no tribunal federal de Oakland ameaça inviabilizar a estratégia do CEO da Paramount, David Ellison, de criar um rival de peso para concorrer com Netflix e Disney.
A Paramount ressaltou que órgãos reguladores de 68 países já aprovaram ou optaram por não contestar a fusão, tornando a ação dos estados o único obstáculo para a concretização do acordo.