Encontro ocorreu na quarta-feira (2), na casa do presidente do Senado, um dia antes de Moraes apresentar acusações contra o colega do STF com base em relatórios da PF.
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reuniu-se por cerca de três horas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na véspera de apresentar acusações formais contra o ministro André Mendonça. O encontro ocorreu na quarta-feira (2), na residência oficial de Alcolumbre, no Lago Sul, em Brasília, antes da sessão plenária da Corte. A informação foi confirmada à coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, por três fontes que acompanham os desdobramentos da crise no Supremo.
Reunião aconteceu antes de ofensiva de Moraes
No dia seguinte ao encontro, Moraes usou o inquérito das Fake News para enviar ao presidente do STF, Edson Fachin, relatórios da Polícia Federal que apontam supostas irregularidades cometidas por Mendonça na condução das investigações Compliance Zero e Sem Desconto. Nos documentos, Moraes afirma haver “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte do colega.
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Alcolumbre é citado em relatórios como “alvo estratégico”
O próprio relatório usado por Moraes cita Alcolumbre. Segundo o documento, o presidente do Senado teria sido vítima de uma atuação “enviesada” por questões “pessoais e políticas” por parte de Mendonça, recebendo um tratamento diferente do dispensado a outros investigados em situação parecida. O relatório classifica como “baixo” o grau de confiança das informações sobre o presidente do Senado e avisa que usar esse conteúdo para fora seria prematuro. O texto lembra ainda que Alcolumbre e Mendonça brigaram na época em que o ministro foi indicado ao STF, quando o senador teria sido um obstáculo para a sua aprovação.
Alcolumbre defende Moraes no plenário
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Depois de se reunir com Moraes, Alcolumbre usou o plenário do Senado para rebater parlamentares da oposição que queriam impeachment do ministro do STF. Durante a discussão, Alcolumbre citou o caso do filme “Dark Horse”, questionando se as críticas eram justas: “Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes?”.
Pessoas próximas ao presidente do Senado dizem que, para Alcolumbre, deixar Moraes sem apoio significaria fortalecer seu adversário político, Mendonça.
A reação de Moraes aconteceu três dias depois de Mendonça enviar à Procuradoria-Geral da República (PGR) um despacho sobre mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, já disse que o conteúdo deve ser anulado. Na decisão contra Mendonça, Moraes também falou em suposto direcionamento nas investigações e “quebra na cadeia de custódia” de provas — o mesmo argumento que a defesa de Vorcaro vinha usando para tentar anular o processo. A crise no STF começou na terça-feira (1º), quando Mendonça tirou o sigilo de um relatório da PF que mostrava mensagens de Vorcaro (dono do Banco Master) para o próprio Moraes, revelando que o banqueiro falou com o ministro dois dias antes de ser preso e até perguntou se podia sair do país.
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