A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – referência oficial da inflação no país – passou de 4,1% para 4,17% em 2026. A estimativa está no boletim Focus desta segunda-feira (23), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com o espetáculo de instituição financeira para os principais indicadores econômicos.
Em meio às tensões em plena guerra no Oriente Médio, pela segunda semana, a previsão para a inflação de 2026 é alta, mas ainda está dentro do intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC.
Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para o topo ou para a base. Claro, o limite inferior é de 1,5% e o limite superior é de 4,5%.
Em fevereiro, o aumento dos preços dos transportes e da educação fez com que a inflação oficial do mês de fevereiro fosse de 0,7% (https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/inflacao-oficial-recua-para-381-com-variacao-de-07-em-fevereiro), e o aumento foi de 0,33% em janeiro. No entanto, o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, caindo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
Para 2027, a projeção de inflação permanece em 3,8%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,52% e 3,5%, respectivamente.
Taxa Selic
Para atingir a meta de inflação, o Banco Central utiliza como principal instrumento a Taxa Básica de Juros (Taxa Selic), atualmente definida em 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Na reunião da semana passada, por unanimidade, o colégio reduziu a alíquota em 0,25%. Antes da escalada do conflito com o Irã, a expectativa predominante era de um corte de 0,5 ponto.
A 15% deste ano, a Selic estava no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% deste ano. De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas quatro reuidos seguintes.
Na reunião de janeiro, o Copom disse que iniciaria um ciclo de processos judiciais na reunião deste mês, mas o comunicado divulgado após a reunião trouxe mais cautela devido ao aumento da incerteza causada pelo conflito no Oriente Médio. O BC não descartou rever o ciclo de baixa, caso seja necessário.
A estimativa dos analistas de mercado para o imposto básico foi elevada nesta edição da newsletter Focus – de 12,25% deste ano para 12,5% deste ano ao final de 2026. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida para 10,5% deste ano e 10% deste ano, respectivamente. Em 2029, a alíquota do imposto chegará a 9,5% da alíquota atual.
Quando o Copom aumenta a Selic, o final é conter a demanda renovada; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.
Os bancos ainda calculam outros factores na hora de definir os juros cobrados aos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.
Quando a Taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, diminuindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
PIB é taxa de câmbio
Nesta edição do boletim do Banco Central, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira neste ano passou de 1,83% para 1,84%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produtos no país) fica em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% durante dois anos.
Em 2025, a economia brasileira crescerá 2,3%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com expansão em todos os setores e destaque para a gropecuária, o resultado representa o quinto ano seguido de crescimento.
No Focus desta semana, a previsão da cotação do dólar está em R$ 5,40 para o fim deste ano. Até o final de 2027, estima-se que a moeda norte-americana estará em R$ 5,45.