CATIA SEABRA E MARIANA BRASIL
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Lula (PT) disse a seus aliados que deveria enviar o nome de Jorge Messias ao Senado para concorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal), mesmo depois de a Câmara ter rejeitado a indicação do procurador-geral da União.
Segundo pessoas próximas, o petista quer reafirmar que a chogra é uma prerrogativa do presidente da República. Nas conversas, ele também diz ter consciência de que o Senado não impõe uma derrota pessoal ao Messias, mas ao seu governo.
A expectativa é que o chef executivo retome o nome antes das eleições de outubro. Aos ministros e articuladores políticos com os quais conversaram, Lula afirmou que não há técnica justificativa para a exclusão e que Messias não é de mérito.
Esses aliados dizem que, após assistir aos destaques da sabatina de Messias, Lula reforçou a valência de que o chefe da AGU está preparado para a função.
Pessoas próximas a Lula afirmaram que episódios como o gesto de desagravo a Messias durante a posse do novo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), onde foi fortemente aplaudido, reforçaram a credibilidade da AGU aos olhos do presidente.
A homenagem a Messias e ao TSE foi ignorada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), além de outros integrantes da mesa oficial do pelotão do ministro Kassio Nunes Marques. Durante a solenidade, Lula quase não trocou palavras com Alcolumbre, em uma demonstração do clima entre os dois.
Pessoas próximas disseram que o advogado-geral ficou recluso após ter o nome rejeitado pelo Senado e disse ter intenção de dejar o governo.
Lula, no entanto, recomendou que ele não tome decisão no calor da derrota. Messias entrou de férias no dia 13 de maio e seu retorno está previsto para o dia 25.
Na AGU (Advocacia-Geral da União), há quem avalie que, caso ele permaneça sem ônus, haverá constrangimento nas tratativas dos interesses da União com o STF, frente à oposição a seu nome por parte de alguns integrantes do corte.
Aliados de Lula apostam no nome do Messias para assumir o Ministério da Justiça no cenário da divisão da massa – o presidente disse que pretende dividir o ministério em dois (um da Justiça e outro da Segurança Pública) caso a PEC da Segurança seja aprovada pelo Congresso.
Lula chegou a pensar na indicação de uma mulher para uma vaga no STF, mesmo sob pressão de aliados do PT. Para o líder do partido na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), fora a questão da representatividade, ele optou por ser um ministro com menor risco de rejeição neste momento.
Articulação Política sem alterações
O episódio representou um problema de articulação política da liderança política do Congresso, pois o número de votos favoráveis ao Messias foi inferior ao previsto pelos líderes do governo. Apesar disso, Lula disse a aliados que não pretende fazer alterações na equipe de articulação política, mesmo com a exclusão inédita. Para ele, o líder do governo e do Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi traído.
O presidente também não precisa abrir mão de José Guimarães (Relações Institucionais), representante do governo e articulação política com o Congresso.
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