Um sonho de infância levou Vitor Apolinário, de 27 anos, natural de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, até a Amazônia, onde fisgou um tucunaré-açu com 81,5 centímetros. A captura ocorreu durante uma expedição de pesca esportiva e surpreendeu até o guia que acompanhava o pescador.
O peixe foi capturado no penúltimo dia de pescaria, depois de meses de preparação para a viagem. Segundo Vitor, os guias que viram o exemplar afirmaram que nunca haviam encontrado um tucunaré daquele tamanho na região. A avaliação, porém, é baseada nos relatos dos profissionais, sem confirmação de um recorde oficial.
Analista de tecnologia da informação, Vitor conta que a paixão pela pesca começou ainda na infância, durante passeios em família a campings, rios e chácaras de parentes.
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Embora os pais não tivessem o mesmo interesse pela atividade, o pai Nélio costumava acompanhá-lo nas pescarias.
“Então, a pesca basicamente representa isso para mim: contato com a natureza, momentos de família, lazer e descontração”, relata.

Imagens mostram a medição do tucunaré-açu com 81,5 centímetros.Vídeo: Arquivo pessoal/ND Mais
Chapecoense se preparou por quase um ano para a pescaria
A viagem à Amazônia era um objetivo antigo. Quando criança, Vitor acompanhava programas de pesca na televisão e assistia às expedições de pescadores conhecidos.
O desejo de conhecer a região se fortaleceu com o interesse pela biodiversidade amazônica e pela possibilidade de pescar espécies que não encontrava habitualmente.
A paixão pela pesca esportiva ganhou força em Guatambu com a chegada dos primeiros pesqueiros voltados à modalidade, entre 2018 e 2020, segundo ele. A experiência nesses locais também ajudou a desenvolver a calma necessária para lidar com peixes maiores.
Analista de tecnologia da informação, Vitor conta que a paixão pela pesca começou ainda na infância.Foto: Arquivo pessoal/ND MaisO pacote para a expedição amazônica foi fechado aproximadamente um ano antes da viagem. Nos dez meses que antecederam a pescaria, Vitor pesquisou equipamentos, estudou as características do destino e conversou com pescadores mais experientes.
A preparação incluiu a escolha de varas, carretilhas e diferentes tipos de iscas, com atenção à resistência dos anzóis e das ferragens. A ideia era ter opções para diferentes condições de pesca esportiva, sem abrir mão do custo-benefício.
“Eu desde cedo me programei, e acho que isso foi um dos grandes diferenciais, porque tinha iscas para bastante situações”, explica.
Tucunaré-açu atacou a isca após poucos arremessos
A captura aconteceu depois de dias em que o comportamento dos peixes dificultou a pescaria. De acordo com Vitor, o guia, que tinha cerca de dez anos de experiência na região, também demonstrou estranhamento com as condições encontradas na temporada.
Em alguns pontos, os pescadores conseguiam fisgar dois ou três peixes antes de a atividade diminuir. Em outros, permaneciam de dez a 15 minutos tentando capturas até decidirem mudar de local.
No dia em que o tucunaré-açu foi fisgado, o grupo já havia encontrado peixes e seguia navegando quando o guia percebeu movimentação próxima à margem.
Em alguns pontos, os pescadores conseguiam fisgar dois ou três peixes antes de a atividade diminuir.Foto: Arquivo pessoal/ND MaisVitor notou o peixe atacando e recebeu a orientação para usar uma isca de hélice, que trabalha na superfície da água. Foram poucos arremessos até o ataque.
“Deu aquele estouro. Um estouro que vai ficar na minha memória porque eu vi o peixe, a cor, ele saindo para fora d’água e pegando a minha isca. Foi assustador”, conta o pescador.
A câmera de ação que levava não registrou o momento exato em que o tucunaré-açu atacou a isca, pois estava desligada. A gravação começou depois, durante a briga.

Em alguns pontos, os pescadores conseguiam fisgar dois ou três peixes antes de a atividade diminuir.
Vídeo: Arquivo pessoal/ND Mais
A disputa durou aproximadamente três minutos. Segundo Vitor, o peixe puxava bastante linha, e a estratégia foi controlar a tensão do equipamento sem tentar vencer a força do animal de maneira brusca. “É indescritível, excepcional”.
O pescador utilizou um conjunto mais robusto, com vara de 30 libras e carretilha reforçada, adequado à modalidade de pesca com isca de hélice.
Tucunaré-açu foi devolvido à água após as fotos
Depois da captura, o grupo tomou cuidados para evitar ferimentos no peixe. As garateias foram retiradas, e o exemplar foi mantido na água para oxigenação antes de ser levado à margem para fotos e vídeos. Na sequência, o tucunaré-açu foi solto.
A prática faz parte da dinâmica da pesca esportiva realizada na área, que integra uma RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável), segundo o relato do pescador.
Nesse modelo de conservação, a atividade turística pode gerar renda para as comunidades locais e contribuir para a preservação dos recursos naturais.
Vitor conta que muitos dos guias são ribeirinhos ou filhos de ribeirinhos e que o cuidado com os peixes é uma preocupação constante durante as expedições.
“Eles têm um cuidado imenso com o peixe”, afirma. Segundo ele, os profissionais orientavam os pescadores a não prolongar o manuseio dos exemplares e a devolvê-los à água rapidamente.
A região também possui regras para a pesca comercial, que é proibida na área visitada, conforme as informações recebidas durante a viagem.
A pesca esportiva integra uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável.Foto: Arquivo pessoal/ND MaisViagem de pesca esportiva também revelou queimadas na Amazônia
Além da captura, as paisagens e o contato com a natureza marcaram a experiência do chapecoense. A viagem incluiu deslocamento de avião até Manaus, seguido de aproximadamente quatro horas de micro-ônibus e mais duas horas de lancha até a pousada.
Considerando o trajeto por terra, Vitor calculou uma distância de aproximadamente 4,2 mil quilômetros, além do deslocamento fluvial necessário para chegar ao destino.
A expedição teve nove dias no total, incluindo os deslocamentos. Cinco dias foram dedicados inteiramente à pescaria.
A lembrança da floresta e a importância de preservar o ambiente também fazem parte da história que ele trouxe de volta a Chapecó.Foto: Arquivo pessoal/ND MaisApesar da realização do sonho, a viagem também mostrou um cenário preocupante. Durante uma das saídas, o grupo entrou em um igarapé próximo a uma área atingida por queimadas. A fumaça e o calor eram tão intensos que os pescadores precisaram deixar o local, mesmo com sinais de atividade dos peixes.
Para Vitor, a experiência reuniu a realização de um desejo antigo, o aprendizado técnico e o contato direto com a biodiversidade amazônica. A captura do tucunaré-açu foi o ponto alto da viagem, mas a lembrança da floresta e a importância de preservar o ambiente também fazem parte da história que ele trouxe de volta a Chapecó.

