O que começou em 1938, em Joinville, no Norte de Santa Catarina, como uma iniciativa de três imigrantes alemães para fabricar conexões que ainda não eram produzidas no Brasil, se transformou em uma multinacional com 18 mil colaboradores, presença em mais de 40 países e receita de R$ 10,7 bilhões em 2024.
A trajetória da Tupy atravessa quase nove décadas de expansão, investimentos em tecnologia, aquisições e entrada em novos mercados. Atualmente, a companhia brasileira desenvolve e produz componentes estruturais em ferro fundido de alta complexidade geométrica e metalúrgica utilizados em setores como transporte, infraestrutura, agronegócio e geração de energia.
A trajetória da Tupy atravessa quase nove décadas de expansão, investimentos em tecnologia, aquisições e entrada em novos mercadosFoto: Tupy/Divulgação/ND MaisMais de 70% da produção é exportada, e a empresa mantém unidades industriais no Brasil, México e Portugal, além de escritórios comerciais em diferentes países.
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Empresa nasceu para fabricar produto que ainda não era produzido no Brasil
A história começou em 1938, quando Albano Schmidt, Hermann Metz e Arno Schwartz fundaram a Tupy com o objetivo de fabricar conexões que, até então, não eram produzidas no país.
A primeira fábrica e a sede da companhia estão em Joinville. As operações no atual parque fabril da cidade começaram em 1954, consolidando a presença da empresa no município onde sua história começou.
A história começou em 1938, quando Albano Schmidt, Hermann Metz e Arno Schwartz fundaram a Tupy com o objetivo de fabricar conexões que, até então, não eram produzidas no paísFoto: Tupy/Divulgação/ND MaisA expansão ganhou força nos anos seguintes. Em 1957, a Tupy fechou o primeiro contrato de fornecimento de autopeças para a Volkswagen do Brasil, em meio ao processo de nacionalização da indústria automotiva brasileira.
Dois anos depois, em 1959, Hans Dieter Schmidt fundou a Escola Técnica Tupy, em Joinville. Inspirada em uma escola de fundição suíça, a instituição passou a formar profissionais que posteriormente atuariam no setor.
Da indústria automotiva para tratores, ferrovias e motores
A Tupy ampliou sua atuação ao longo das décadas. Em 1963, uma nova instalação no Brasil marcou o início da produção de componentes para tratores. Dez anos depois, em 1973, a empresa criou o Centro de Pesquisas Tecnológicas, em Joinville. Em 1976, foi construída uma nova fábrica na cidade destinada à produção de blocos e cabeçotes de motor.
em 1959, Hans Dieter Schmidt fundou a Escola Técnica Tupy, em JoinvilleFoto: Tupy/Divulgação/ND MaisA diversificação continuou nos anos 1980. Em 1980, a Tupy entrou no mercado ferroviário com a venda de três milhões de placas de apoio para a Estrada de Ferro Carajás. No mesmo período, começou também a fabricação de girabrequins.
A aposta em tecnologia e pesquisa ganhou reconhecimento em 1983, quando a empresa recebeu o prêmio “Liceu de Tecnologia”. Outras premiações vieram na década, incluindo uma do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Aquisições aceleraram a transformação em gigante dos blocos de motores
Um dos momentos importantes da história da companhia ocorreu em 1995. Naquele ano, BNDESPar, Previ, Telus, Aerus e Bradesco adquiriram a maioria das ações da Tupy. A empresa também comprou a fundição da Mercedes-Benz.
Com o avanço das exportações, a companhia passou a ampliar sua presença internacional e se tornou um player global. No ano seguinte, em 1996, foi inaugurada em Joinville a operação de usinagem de blocos, cabeçotes de motor e peças de engenharia. Em 1998, a Tupy adquiriu a fundição da Cofap, em Mauá, São Paulo.
Com o avanço das exportações, a companhia passou a ampliar sua presença internacional e se tornou um player globalFoto: Tupy/Divulgação/ND MaisTecnologia colocou a Tupy no mercado mundial
Entre 2000 e 2003, anos de pesquisa e desenvolvimento resultaram no fornecimento do primeiro bloco em ferro vermicular, conhecido como CGI (Compacted Graphite Iron), produzido em larga escala no mundo.
Em 1980, a Tupy entrou no mercado ferroviário com a venda de três milhões de placas de apoio para a Estrada de Ferro CarajásFoto: Tupy/Divulgação/ND MaisA tecnologia se tornou um dos marcos da trajetória da companhia e está relacionada à posição da Tupy como referência em blocos e cabeçotes de diferentes ligas metálicas. A empresa atualmente é reconhecida pela atuação no desenvolvimento de componentes para motores mais leves, com paredes finas, geometrias complexas e materiais de maior resistência.
Tupy atravessou fronteiras e chegou ao México e Portugal
A expansão internacional ganhou novo capítulo em 2012, quando a companhia comprou duas plantas no México, nas cidades de Saltillo e Ramos Arizpe, no estado de Coahuila. No mesmo ano, foi inaugurada uma nova fundição de blocos em Joinville e a Tupy passou a integrar o Novo Mercado da BM&FBOVESPA.
A expansão continuou quase uma década depois. Em 2021, a companhia lançou a ShiftT, aceleradora de startups criada para reforçar sua atuação no ecossistema de inovação.
Também naquele ano, fechou acordo com a Stellantis para aquisição das fundições de ferro do Brasil e de Portugal, localizadas em Betim, Minas Gerais, e Aveiro, em Portugal. Em 2022, a Tupy concluiu a aquisição da MWM do Brasil, que possui uma planta em São Paulo e um centro de distribuição de peças em Jundiaí.
Com o negócio, a empresa entrou no setor de Energia & Descarbonização, fornecendo grupos geradores de eletricidade para o agronegócio e outras aplicações.
Onde a Tupy está hoje
Quase nove décadas depois da fundação, a Tupy mantém sua origem em Joinville, mas passou a operar em uma estrutura internacional. As fábricas estão localizadas em Joinville e São Paulo, no Brasil; Betim, em Minas Gerais; Saltillo e Ramos Arizpe, no México; e Aveiro, em Portugal.
A companhia também possui escritórios comerciais no Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Itália e Holanda. Os produtos são exportados para cerca de 40 países e atendem empresas globais líderes em seus segmentos, incluindo fabricantes de veículos, máquinas e equipamentos utilizados em transporte de carga, agricultura, construção e infraestrutura, mineração e geração de energia.
Atualmente, a produção da Tupy envolve centenas de componentes estruturais em ferro fundido de elevada complexidade geométrica e metalúrgica. Além da fundição, a companhia atua na usinagem de peças. Desde 1996, oferece componentes totalmente usinados, montagem, testes de estanqueidade, peças semi-usinadas e protótipos. As fábricas têm capacidade para usinar peças de diferentes tamanhos e todas as ligas de ferro fundido, independentemente do grau de usinabilidade.