O cientista político Sergio Fausto, diretor-geral da Fundação FHC, criticou a declaração da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, a respeito do histórico de atuação das esposas de presidentes no Brasil. Em entrevista divulgada na última segunda-feira (13 de julho), Janja afirmou que o país “nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente”.
Na terça-feira (14 de julho), Sergio Fausto rebateu a afirmação, declarando que a fala de Janja revela um desconhecimento histórico que “dispensa comentários”. O cientista político referia-se diretamente ao legado da antropóloga Ruth Cardoso, esposa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
O legado acadêmico e social de Ruth Cardoso
Doutora em antropologia, Ruth Cardoso teve uma trajetória marcada pela atuação acadêmica e por políticas públicas de combate à vulnerabilidade social:
Atuação nacional: Foi professora da Universidade de São Paulo (USP) e presidiu o Conselho do Programa Comunidade Solidária, criado em 1995 para combater a pobreza e a exclusão social por meio de parcerias com a sociedade civil.
Atuação internacional: Integrou a diretoria da Fundação das Nações Unidas (ONU), fez parte de comissões da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e atuou no conselho assessor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Os argumentos de Janja e a crítica à imprensa
As declarações da primeira-dama foram dadas ao programa Frente a Frente, do UOL e da Folha de S.Paulo. Na entrevista, Janja detalhou sua rotina e justificou seu posicionamento:
Rotina no Planalto: Afirmou que comparece quase diariamente ao Palácio do Planalto para participar de reuniões e cumprir agendas de trabalho.
Preconceito de classe: Declarou sofrer preconceito por ter origem humilde e comparou sua trajetória à de Ruth Cardoso. Segundo ela, o título de doutora de Ruth Cardoso em uma universidade de prestígio influencia positivamente a percepção pública, enquanto ela própria optou por não seguir carreira acadêmica para focar no trabalho direto com comunidades.
Foco da cobertura de mídia: Janja também criticou a imprensa nacional, afirmando que os veículos priorizam notícias de bastidores políticos em vez de darem visibilidade às suas ações institucionais, como sua atuação como embaixadora da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) e seu engajamento no Pacto contra o Feminicídio.