Fim da escala 6X1 é aprovada na Câmara

Fim da escala 6×1: votação na Câmara dos Deputados Foto: Joice Gonçalves/ND Mais

A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira (27), a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1 no Brasil. O texto passou por duas votações no plenário antes de seguir para análise do Senado. A proposta recebeu 472 votos na primeira votação e 461 na segunda.

A aprovação em plenário ocorreu no mesmo dia em que a comissão especial da Câmara deu aval ao texto-base da proposta. Mais cedo, o colegiado aprovou, por 34 votos a 4, o parecer que reduz a jornada máxima de trabalho no Brasil das atuais 44 para 40 horas semanais.

O texto aprovado é de relatoria do deputado Leo Prates, que unificou pontos da PEC 221/19 e da PEC 8/25.

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PEC do fim da escala 6×1 prevê jornada de 40 horas, dois dias de folga e transição gradual

O parecer aprovado na Câmara dos Deputados sobre a proposta que altera a jornada de trabalho no Brasil prevê a redução da carga semanal para 40 horas, além do fim da escala 6×1 como regra geral e da ampliação do período de descanso dos trabalhadores.

Pelo texto, a jornada normal de trabalho não poderá ultrapassar oito horas diárias e 40 horas semanais, mantendo a possibilidade de compensação de horários e redução da carga mediante acordo ou convenção coletiva.

Atualmente, a legislação prevê apenas um dia obrigatório de folga por semana. Com a mudança, os trabalhadores passariam a ter direito a dois dias de descanso semanal, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

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Regra de transição

Segundo o parecer, a implementação deverá ocorrer de forma gradual para permitir adaptação do setor produtivo e reduzir impactos econômicos.

A proposta estabelece que, após a aprovação definitiva da PEC, a jornada semanal inicialmente cairá para 42 horas. Depois, em um segundo momento, será reduzida para 40 horas semanais.

O texto também prevê a possibilidade de ampliação da jornada diária por meio de negociação coletiva para redistribuir as horas trabalhadas dentro da semana.

Sem redução salarial

O parecer mantém expressamente a proibição de redução salarial. A proposta determina que a diminuição da jornada não poderá gerar redução nominal ou proporcional dos salários nem dos pisos salariais já existentes.

O documento cita ainda que trabalhadores submetidos a jornadas mais equilibradas tendem a apresentar maior produtividade, menos afastamentos e redução de problemas relacionados à saúde mental e física.

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Dois dias de folga

Durante os debates da comissão especial, o relator afirmou que três pontos são considerados “inegociáveis” no texto:

  • limite de 40 horas semanais;
  • garantia de dois dias de folga;
  • proibição de redução salarial.

O parecer também abre espaço para que convenções coletivas estabeleçam regras específicas para categorias com jornadas diferenciadas.

Regra para altos salários

Outro ponto previsto no texto é a flexibilização das regras de controle de jornada para trabalhadores com diploma de nível superior e remuneração equivalente a pelo menos 2,5 vezes o teto do INSS, atualmente cerca de R$ 21 mil mensais.

Nesses casos, as regras sobre duração do trabalho e controle de jornada poderão deixar de ser aplicadas, salvo previsão em acordo coletivo ou decisão do empregador.

A exceção não valerá para servidores e empregados públicos da administração direta e indireta.

Fim da escala 6×1 nas pequenas empresas

O parecer também prevê que uma futura legislação poderá criar medidas transitórias para reduzir impactos econômicos sobre microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte.

Entre os mecanismos discutidos estão regras diferenciadas de adaptação e medidas voltadas à preservação de empregos durante a transição para a nova jornada.

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