A Comunidade Gleba Muranaka, em Ferraz de Vasconcelos, enfrenta um momento crítico diante da ameaça de despejo e da ausência de posicionamento efetivo da Prefeitura. O cenário, que já era de apreensão, ganhou contornos ainda mais graves com denúncias de promessas políticas não cumpridas, ausência de diálogo e falta de transparência por parte da administração da prefeita reeleita Priscila Gambale (Podemos).
Segundo relatos colhidos pela reportagem, durante o período eleitoral, reuniões com representantes do poder público alimentaram a esperança de que a regularização fundiária da área seria prioridade. Moradores afirmam que, à época, foi prometido apoio contra a reintegração de posse e houve até declarações enfáticas de que aqueles que ocupavam o local seriam defendidos. No entanto, após as eleições, os compromissos prometidos não se converteram em ações concretas.
A Gleba Muranaka abriga atualmente mais de 300 famílias, muitas das quais afirmam ter adquirido seus terrenos de boa-fé, investindo recursos próprios na construção de suas moradias. O sentimento de abandono é ainda mais evidenciado entre aqueles que, confiando nas promessas, realizaram mudanças documentais e se estabeleceram definitivamente na área.
Embora a Prefeitura afirme não fazer parte do processo judicial que envolve a comunidade, moradores relatam que o nome da municipalidade consta nos autos. Segundo os mesmos relatos, a Justiça teria solicitado que a administração realizasse a topografia da área, etapa essencial para a regularização fundiária. No entanto, em vez de enviar equipe técnica qualificada, a Prefeitura teria encaminhado ao local uma conselheira tutelar e um servidor sem especialização na área, o que gera questionamentos sobre o comprometimento da gestão.
Em ato de desespero, a própria comunidade chegou a propor o custeio da topografia, com orçamento de cerca de R$ 30 mil. A proposta, no entanto, foi rejeitada, sob o argumento de que a responsabilidade pelo serviço é exclusivamente da municipalidade.
Além disso, membros da comunidade afirmam que vereadores da base da prefeita também se comprometeram publicamente a interceder pela permanência das famílias. “Quem estiver dentro do Muranaka, vamos fazer de tudo para intervir”, foi uma das frases que, segundo os moradores, reforçou a confiança nas promessas eleitorais.
A municipalidade procurada pela reportagem, informou que a Secretaria de Desenvolvimento Habitacional, Relações Comunitárias e Favelas da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos trata de processo judicial em área particular, onde a prefeitura não faz parte do processo. “Legalmente, esse caso, inviabiliza as ações por parte do Poder Público. Não há no momento nenhum programa habitacional com cadastro aberto para qualquer tipo de demanda existente. Todos os programas habitacionais são oriundos de parceria com os Governos Federais e Estaduais, aos quais quando forem vigentes, serão amplamente divulgados para toda a população interessada poder se inscrever”.
Até o fechamento desta edição, a Câmara não se posicionou.