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EUA voltam a discutir sanções a Moraes após ação da PF contra fonte de jornalista – Gazeta Brasil

O governo dos Estados Unidos volta a avaliar a possibilidade de impor novas sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo reportagem do jornal britânico Financial Times publicada neste domingo (16). A discussão ganhou novo impulso na gestão Donald Trump após Moraes autorizar, na última terça-feira (11), mandados de busca e apreensão relacionados à investigação sobre o vazamento de informações usadas em reportagens sobre o ministro Flávio Dino, também do STF.

O episódio passou a ser citado dentro do governo americano como mais um ponto de atrito com o magistrado brasileiro, alvo frequente de críticas da administração Trump. A operação da Polícia Federal teve entre os alvos Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança do Maranhão, apontado pela PF como uma das fontes do jornalista independente Luís Pablo. As reportagens tratavam do uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Dino.

O caso gerou debate interno no próprio STF por envolver o sigilo de fonte, garantia protegida pela Constituição. O presidente da Corte, Edson Fachin, defendeu publicamente o direito dos jornalistas. Por sua vez, Moraes sustentou que as medidas se basearam em indícios de práticas ilegais e que a proteção à atividade jornalística não alcança o cometimento de eventuais crimes.

Reincidência e histórico da Lei Magnitsky

Moraes já havia sido incluído pelo Departamento do Tesouro dos EUA na lista de sancionados da Lei Magnitsky em julho de 2025. Na ocasião, Washington acusou o ministro de autorizar prisões arbitrárias, restringir a liberdade de expressão e conduzir processos politizados, citando as ações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A sanção congelou bens do ministro em solo americano e proibiu transações financeiras com cidadãos ou empresas dos EUA.

Em setembro do mesmo ano, a medida foi estendida à esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, e ao Lex Instituto de Estudos Jurídicos. Embora as punições tenham sido revogadas em dezembro de 2025, durante um breve momento de reaproximação diplomática, o Financial Times aponta que o descontentamento da Casa Branca em relação ao ministro permaneceu.

Tensão diplomática entre Brasil e EUA

A eventual renovação das sanções ocorre em um momento de escalada nas tensões entre Brasília e Washington, marcada por atritos comerciais e diplomáticos às vésperas do pleito eleitoral no Brasil. Recentemente, o governo americano impôs novas sobretaxas a produtos brasileiros, levando o governo federal a acionar a Lei da Reciprocidade Econômica.

No âmbito diplomático, Washington revogou o visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti, após o governo brasileiro não conceder o agrément ao novo indicado para a embaixada americana. Em contrapartida, o Brasil barrou a entrada de funcionários do Departamento de Estado americano, alegando risco de interferência nas eleições.

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