As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram, na última quarta-feira (15), uma nova série de ataques contra o Irã — a quinta desde a retomada das hostilidades na semana passada. A operação foi confirmada pelo Comando Central dos EUA (Centcom), que informou ter atingido “centros de comando iranianos, posições de defesa aérea, depósitos de mísseis e drones, e instalações de vigilância costeira”.
De acordo com o Centcom, a ofensiva teve como objetivo “degradar ainda mais a capacidade do regime de ameaçar os marinheiros inocentes que tripulam navios comerciais que transitam pelo Estreito de Ormuz”. Foram utilizadas munições de precisão para alcançar alvos em múltiplas localidades, incluindo a cidade portuária de Bandar Abbas. Horas antes, o comando militar já havia anunciado que, às 15h (horário de Washington), as forças americanas haviam iniciado uma segunda onda de ataques no mesmo dia.
A escalada ocorreu logo após Washington confirmar o restabelecimento do bloqueio naval sobre os portos e costas iranianas. O Pentágono informou que dois navios comerciais que tentaram burlar as restrições foram interceptados e desviados.
O conflito se espalha pelo Oriente Médio
Desde a retomada das operações militares, o confronto rapidamente se ramificou para múltiplos fronts na região:
Bahrein: A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter atacado posições da Quinta Frota dos EUA. Autoridades locais informaram ter interceptado projéteis direcionados contra alvos civis.
Jordânia: O governo jordaniano confirmou que seus sistemas de defesa aérea abateram três mísseis lançados pelo Irã que cruzavam o seu espaço aéreo.
Iraque: No norte do país, explosões foram registradas nas proximidades do consulado americano em Erbil, capital do Curdistão iraquiano. Até o momento, não há informações sobre vítimas no local.
Trump endurece o tom e ameaça ampliar campanha
O presidente Donald Trump adotou uma postura ainda mais dura contra Teerã, alertando que a campanha militar será intensificada se o regime não aceitar voltar à mesa de negociações.
“Na próxima semana, a situação será muito ruim para eles.” — Donald Trump, em entrevista à Fox News.
Apesar do recrudescimento dos combates em solo e no mar, fontes diplomáticas apontam que os canais de negociação de bastidores ainda não foram totalmente fechados.
Irã declara acordo inválido
Por outro lado, o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do regime, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que o memorando de entendimento anteriormente assinado com Washington perdeu a validade após a decisão americana de retomar o bloqueio naval.
“Um memorando de entendimento só tem sentido quando suas cláusulas são válidas e são cumpridas. Se o Irã não obtém nenhum benefício do acordo, não temos motivos para respeitá-lo”, afirmou Ghalibaf.
Impactos econômicos e baixas civis
O conflito já provoca reflexos diretos no transporte marítimo global e na população civil:
Ataques a embarcações: Um petroleiro de bandeira norueguesa sofreu uma explosão de origem ainda desconhecida na costa de Omã. Paralelamente, o Kuwait informou que um de seus navios foi atingido por mísseis e drones iranianos, deixando quatro tripulantes feridos.
Vítimas: Segundo o governo iraniano, os bombardeios americanos iniciados na semana passada já deixaram pelo menos 30 civis mortos. Outros sete militares iranianos morreram nos ataques desta quarta-feira.
Israel em alerta: O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, alertou que o país responderá “com dureza” caso o Irã decida estender seus ataques ao território de Israel.
Em um aceno econômico aos aliados regionais, Trump anunciou que recuou da proposta de aplicar uma taxa de 20% sobre navios que cruzam o Estreito de Ormuz. Em vez disso, o presidente americano declarou que focará em fechar novos acordos comerciais e de investimentos com as monarquias parceiras do Golfo Pérsico.