Brasileiro larga na pole, conquista dois segundos lugares na Itália e assume a vice-liderança de uma categoria que leva as grandes touring da Harley-Davidson ao paddock da MotoGP.
Eric Granado saiu de Mugello como um dos grandes nomes da segunda etapa da Harley-Davidson Bagger World Cup. No sábado, 30 de maio de 2026, o brasileiro confirmou a força da Joe Rascal Racing ao transformar a pole position em dois pódios consecutivos, terminando em segundo lugar nas duas corridas disputadas no circuito italiano. A rodada teve vitória do espanhol Óscar Gutiérrez na Corrida 1 e triunfo do italiano Andrea Iannone na Corrida 2, mas foi Granado quem deixou a Itália com avanço importante na classificação, subindo para a vice-liderança do campeonato.
A etapa italiana marcou o segundo compromisso da temporada inaugural da FIM Harley-Davidson Bagger World Cup, competição criada para colocar as grandes baggers preparadas em um cenário global, dentro dos fins de semana da MotoGP. Em Mugello, uma das pistas mais rápidas e tradicionais do calendário mundial, a categoria mostrou novamente seu apelo: motos grandes, carenadas, com base touring, mas radicalmente modificadas para suportar frenagens fortes, longas retas, mudanças rápidas de direção e disputas corpo a corpo em ritmo de competição internacional.
Granado começou o fim de semana em alta. Na classificação, o brasileiro cravou 1min56s704 e garantiu a pole position, liderando um grid de dez pilotos. O resultado reforçou sua adaptação ao conceito das baggers de corrida e colocou a Joe Rascal Racing em posição privilegiada, com Archie McDonald, seu companheiro de equipe, também largando na primeira fila. Andrea Iannone, em sua estreia na categoria pela Niti Racing, completou a linha de frente e já indicava que seria um dos protagonistas da rodada.
Na Corrida 1, disputada em oito voltas, Granado largou forte e permaneceu no grupo da frente durante toda a prova. A disputa foi decidida nos detalhes, com Óscar Gutiérrez aproveitando o momento certo para superar o brasileiro e vencer por apenas 0s171. Granado cruzou em segundo lugar, seguido por Archie McDonald, completando um pódio que confirmou o equilíbrio entre Niti Racing e Joe Rascal Racing. Para o brasileiro, mesmo sem a vitória, o resultado teve peso estratégico: somou pontos importantes e manteve sua campanha em ritmo ascendente.
A Corrida 2, também realizada no sábado, teve roteiro igualmente intenso. Andrea Iannone, correndo diante da torcida italiana, mostrou rápida adaptação à Harley-Davidson preparada pela Niti Racing e conquistou sua primeira vitória na Bagger World Cup. O italiano venceu por 0s512 de vantagem sobre Granado, que novamente terminou em segundo. McDonald completou o pódio em terceiro. Com isso, o brasileiro fechou a etapa de Mugello com dois vice-campeonatos no mesmo dia, consolidando-se como um dos candidatos mais consistentes ao título.
O desempenho ganha ainda mais relevância quando se observa o contexto técnico da categoria. As baggers da World Cup são derivadas da plataforma Grand American Touring da Harley-Davidson, mas recebem preparação profunda para as pistas. Motor, chassi, suspensão, freios, eletrônica, ergonomia e aerodinâmica passam por alterações para transformar motocicletas originalmente associadas a viagens longas em máquinas capazes de competir em autódromos de padrão mundial. O desafio para os pilotos é grande: controlar motos maiores, com comportamento muito diferente de uma superbike tradicional, em circuitos onde a precisão na frenagem e a tração na saída de curva fazem enorme diferença.
Mugello potencializou esse contraste. A pista italiana combina uma das maiores retas do calendário com curvas de alta velocidade e fortes zonas de frenagem. Para uma bagger de competição, isso exige estabilidade em velocidade elevada, capacidade de desaceleração eficiente e boa transferência de peso nas mudanças de direção. Granado demonstrou consistência justamente nesse cenário, mantendo ritmo competitivo nas duas provas e saindo da Itália com pontos suficientes para encostar na liderança.
A rodada também teve valor simbólico para a Harley-Davidson. A presença de Andrea Iannone, ex-MotoGP e WorldSBK, ampliou a visibilidade da competição e aproximou a nova categoria de um público acostumado às grandes estrelas do motociclismo mundial. Sua vitória logo na estreia criou uma narrativa forte para o campeonato, mas não apagou o desempenho de Granado, que foi o piloto mais constante do fim de semana ao combinar pole position e dois pódios.
Após Mugello, Archie McDonald segue na liderança da Harley-Davidson Bagger World Cup, agora com 73 pontos. Eric Granado aparece em segundo, com 70, apenas três pontos atrás. O resultado recoloca o brasileiro diretamente na disputa pelo título, em uma temporada curta, com seis etapas e margem pequena para erros. Cada corrida passa a ter peso decisivo.
A próxima etapa será em Assen, na Holanda, no fim de junho. Conhecido como “Catedral do Motociclismo”, o circuito holandês deve oferecer outro tipo de desafio às baggers, com sequência de curvas rápidas, fluidez e menor dependência de longas retas. Para Granado, será a chance de transformar regularidade em vitória e, possivelmente, assumir a liderança do campeonato.
A Harley-Davidson Bagger World Cup ainda está em seu primeiro ano, mas já cumpre um papel importante: ampliar os limites do que se entende por competição de alto desempenho sobre duas rodas. Ao levar motos de grande porte para o ambiente da MotoGP, a categoria mistura espetáculo, tecnologia, identidade de marca e desafio técnico. Para o Brasil, o ingrediente principal é ainda mais forte: Eric Granado não apenas participa desse novo capítulo, mas aparece como candidato real ao primeiro título mundial da história da competição.