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Eleições 2026 – Saiba o que os candidatos à Presidência propõem para resolver os problemas com emendas parlamentares  

As emendas parlamentares deverão movimentar mais de R$ 60 bilhões do orçamento federal em 2026 — quase um quarto de tudo o que o governo federal tem para investir no ano.  

Apesar da importância política e do peso fiscal das emendas, uma análise da Transparência Internacional – Brasil mostra que o tema recebe tratamento superficial e insuficiente nos planos de governo dos presidenciáveis.   

Os candidatos não avançam além de diagnósticos genéricos, e nem todos falam do que seria o mínimo: como garantir a transparência e a rastreabilidade desses recursos. Organizações da sociedade civil afirmam que esses dois tópicos são essenciais para resolver as distorções que vêm marcando o debate sobre o orçamento público brasileiro nos últimos anos.  

Candidatos apontam uso eleitoral das emendas parlamentares

Lidos em conjunto, os planos de governos mostram uma série de menções pontuais às emendas parlamentares, quase sempre desacompanhadas de instrumentos concretos e aplicáveis de controle. Não consta, nesses documentos, um debate estruturado sobre o futuro das emendas parlamentares. 

Os candidatos Lula (PT) e Renan Santos (Missão) não falam, por exemplo, de transparência ou rastreabilidade — o primeiro critica o modelo atual sem detalhar soluções, o segundo constroi um diagnóstico estrutural sobre o papel eleitoral das emendas na atual conjuntura.  

Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) convergem em propostas mais objetivas, mas carregam a contradição de terem, à frente de seus Estados, acompanhado ou mesmo institucionalizado a reprodução do modelo federal em nível estadual.  

Flávio Bolsonaro (PL) defende rastreabilidade no papel, mas sua própria atuação como parlamentar concentrou recursos em poucos municípios e já foi alvo de investigações. Nos últimos dias, a revista Piauí revelou que o senador enviou uma emenda parlamentar de 200 mil reais para um projeto em área de milícia

Candidato  Análise 
Lula (PT) É o único entre os presidenciáveis a apontar que o modelo das emendas se replicou para Estados e municípios. Não menciona, porém, compromissos com transparência ou rastreabilidade  
Flávio Bolsonaro (PL) Como senador, destinou quase 300 milhões de reais para apenas 28 municípios do Rio de Janeiro. Não apresentou nenhum projeto de lei sobre o tema ao longo do mandato. Em 2020, votou a favor de uma resolução que regulamentou o “orçamento secreto”. Emendas de sua autoria já foram alvo de investigações sobre possíveis desvios. Recentemente soube-se que o senador enviou 200 mil reais a um miliciano condenado no caso Marielle  
Renan Santos (Missão)  Dedica a análise mais extensa ao tema, ainda que sem propor medidas concretas de transparência 
Ronaldo Caiado (PSD) Apesar de criticar a fragmentação do orçamento federal via emendas, Caiado presidiu, em seu próprio Estado, a expansão deste modelo. Em seu plano de governo, o candidato defende critérios mais objetivos para o uso das emendas. Ele também detalha um conjunto de compromissos sobre transparência  
Romeu Zema (PSD) Faz críticas ao uso e aplicação das emendas parlamentares. Porém, quando esteve à frente do Executivo em Minas Gerais, permitiu que esse modelo se expandisse e se consolidasse. Enquadra o tema dentro de uma agenda de contenção do gasto público. Minas Gerais é hoje o Estado brasileiro com o maior valor absoluto reservado a emendas parlamentares: R$ 2,5 bilhões em 2026   
Augusto Cury (Avante)  Seu plano de governo não faz nenhuma menção a emendas parlamentares