Enquanto a maioria da população brasileira enfrenta os desafios de um orçamento doméstico apertado, o Senado Federal aprovou, por 41 votos a 33, o aumento de 513 para 531 deputados federais.
A medida — rejeitada por 76% da população, segundo pesquisa do Datafolha — representa um distanciamento preocupante entre o Congresso Nacional e os brasileiros que ele deveria representar.
O argumento usado para justificar a proposta é a atualização das bancadas conforme o Censo de 2022. Porém, o momento escolhido para essa mudança escancara a falta de sensibilidade política e social de parte dos parlamentares.
O Brasil ainda busca se reerguer economicamente, com serviços públicos pressionados e contas públicas desequilibradas. É nesse cenário que se decide criar mais 18 cargos de deputado federal, além dos respectivos acréscimos nas Assembleias Legislativas estaduais.
Estima-se que essa ampliação possa custar ao contribuinte R$ 65 milhões anuais só na esfera federal — valor que sobe para R$ 150 milhões considerando os novos deputados estaduais.
Embora o projeto traga uma “trava” para impedir a elevação dos gastos, incluída pelo senador Marcelo Castro (MDB-MA), é ingênuo imaginar que não haverá pressão por mais estrutura, mais assessores e mais emendas parlamentares. Na prática, mais cadeiras significam mais despesas, diretas e indiretas.
Diante disso, é necessário reconhecer a postura coerente dos 33 senadores que votaram contra a proposta. Em Santa Catarina, a senadora Ivete Appel da Silveira e o senador Esperidião Amin votaram “não” — mesmo com o Estado sendo beneficiado com o acréscimo de quatro deputados.
Demonstraram, com isso, compromisso com o equilíbrio fiscal e com a vontade da maioria da população. Já o senador Jorge Seif Júnior, que sequer compareceu à sessão, desperdiçou a chance de se posicionar num tema que impacta diretamente a estrutura do poder no país.
É importante lembrar: representatividade é essencial, mas precisa vir acompanhada de responsabilidade. Não se trata de negar o crescimento populacional de Estados como Pará, Mato Grosso ou Santa Catarina.
Trata-se de refletir se, nesse momento, o Brasil precisa de mais parlamentares ou de parlamentares mais comprometidos com os reais interesses da Nação. Agora, com o projeto de volta à Câmara dos Deputados, cabe aos deputados refletirem sobre os sinais da população. O Congresso deve servir ao país — e não a si mesmo.