Editorial: Proteção dos idosos é marca de civilidade

O último domingo marcou a passagem do Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. A data, instituída em 2011 pela ONU (Organização das Nações Unidas), integra a campanha Junho Violeta e tem o propósito de sensibilizar a sociedade sobre o enfrentamento deste problema, que se apresenta de várias formas, sendo três as mais comuns: negligência, violência psicológica e violência patrimonial.

As estatísticas relacionadas à violência contra idosos, infelizmente, só têm crescido. Os últimos dados disponíveis, revelados pelo Mapa da Violência de 2024, apontam 408 mil casos registrados em todo o país de 2020 a 2023. Uma faceta assustadora é que os filhos são responsáveis diretos por 60% das ocorrências.

Ao longo da história humana, muitos são os exemplos de sociedades que colocaram os idosos num patamar de importância acima das outras faixas etárias. Nestes locais, eram vistos como sábios, capazes de orientar os mais jovens tanto no dia a dia quanto em momentos cruciais da vida da comunidade.

A sociedade moderna, no entanto, tratou de mudar essa percepção – e para pior. A constante celebração apenas do que é novo de idade, jovem nas ideias, foi relegando os idosos para segundo plano em diversos aspectos.

O mercado de trabalho não quer saber deles, desprezando a experiência que seria de extrema importância para o cotidiano de várias atividades. A família, muitas vezes, apenas os vê como fonte de renda.

Nesse cenário, são comuns os casos de negligência. Familiares que não se importam com o estado de saúde de seus idosos, deixando-os muitas vezes em condições degradantes.

Igualmente são preocupantes os casos de violência psicológica, fruto do desprezo pelos mais velhos fomentado diariamente por uma sociedade que só prioriza o novo, da falta de paciência com quem hoje não tem mais a mesma agilidade ou capacidade intelectual de antes. Isso sem mencionar os casos de violência patrimonial, caracterizada pela apropriação indevida de bens ou do dinheiro do idoso.

É hora, pois, de a sociedade voltar novamente seu olhar para quem dedicou a vida à construção do país, do Estado e do município, estabelecendo cada vez mais mecanismos de proteção à integridade física e mental destas pessoas, não permitindo que elas sejam exploradas por quem quer que seja. Só assim seremos uma sociedade realmente civilizada.

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