A Grande Florianópolis deixou de ser, há muito tempo, um conjunto de cidades vizinhas para se consolidar como um único organismo urbano. No entanto, a gestão pública ainda insiste em operar sob lógicas fragmentadas, incapazes de responder à complexidade de uma região que cresce acima da média nacional e acumula gargalos históricos.
O encontro promovido pelo Movimento Floripa Sustentável, segunda-feira (27), escancara uma verdade incômoda: o diagnóstico está mais do que feito, o que falta é execução coordenada.
Mobilidade urbana, saneamento e gestão de resíduos não respeitam fronteiras administrativas. O cidadão que mora em Biguaçu, trabalha em Florianópolis e depende de serviços em São José vive diariamente os efeitos dessa desconexão.
É sintomático que, mesmo diante de uma realidade metropolitana consolidada, ainda se discuta a necessidade de integração como se fosse uma escolha, e não uma imposição dos fatos.
O consenso entre lideranças políticas é um avanço, mas não pode se limitar ao discurso. A história recente da região é marcada por projetos anunciados com entusiasmo e esquecidos na prática, vítimas de disputas políticas, vaidades locais e descontinuidade administrativa. A cooperação entre municípios exige mais do que boa vontade: requer mecanismos institucionais sólidos e metas claras.
Nesse contexto, o projeto de integração do transporte coletivo surge como um teste decisivo. A proposta de unificar tarifas, racionalizar linhas e incorporar tecnologia aponta na direção correta, ao enfrentar um sistema hoje ineficiente e pouco atrativo.
No entanto, o sucesso da iniciativa dependerá da capacidade de implantação e, sobretudo, da manutenção do compromisso político ao longo dos anos. Planejar é importante, mas entregar resultados concretos é o que legitima qualquer política pública.
A disponibilidade de financiamento internacional e o alinhamento entre diferentes esferas de poder criam uma janela de oportunidade rara. Mas oportunidades, por si só, não transformam realidades. Sem governança eficiente e visão de longo prazo, até mesmo o melhor dos projetos corre o risco de se perder no caminho.
A Grande Florianópolis não pode mais se dar ao luxo de avançar em ritmo lento diante de desafios urgentes. A integração metropolitana precisa deixar de ser promessa recorrente e se tornar política de Estado. Caso contrário, a região seguirá crescendo de forma desordenada, acumulando problemas que já deveriam estar no passado.