Editorial: Morro dos Cavalos: um entrave sem fim

O impasse do Morro dos Cavalos deixou de ser apenas uma questão de infraestrutura para se tornar um retrato eloquente da ineficiência administrativa e da desarticulação institucional que marcam o país.

O novo apelo do senador Esperidião Amin expõe, mais uma vez, aquilo que a população catarinense já sente diariamente: a ausência de comando, de prazos e, sobretudo, de responsabilidade sobre um dos trechos mais críticos da BR-101.

Não se trata de falta de diagnóstico. Há anos se sabe que o Morro dos Cavalos é um gargalo perigoso, congestionado e incompatível com a importância logística de Santa Catarina.

Tampouco se pode alegar ausência de decisão política: segundo o próprio senador, a solução já foi definida no âmbito do governo federal e referendada por diferentes ministros. O que falta, portanto, é o básico: formalização, homologação e execução. Em outras palavras, falta fazer.

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), nesse contexto, surge como peça central de uma engrenagem que simplesmente não gira. Ao postergar a homologação de uma decisão já tomada, a ANTT não apenas emperra o andamento das obras, como também alimenta um ambiente de insegurança jurídica que afasta investimentos e paralisa qualquer planejamento consistente.

O resultado é um limbo administrativo que penaliza diretamente quem depende da rodovia: trabalhadores, transportadores e toda a economia regional, estadual e até nacional.

A gravidade da situação é agravada pela ausência de interlocução clara por parte do governo federal. Não há cronograma, não há transparência e não há explicações convincentes. O silêncio institucional, nesse caso, não é neutro, ele custa tempo, dinheiro e vidas. Cada dia de indefinição representa mais congestionamentos, mais riscos e mais prejuízos.

É inaceitável que uma obra considerada prioritária permaneça refém de entraves burocráticos e indecisões políticas. O país não pode naturalizar a paralisia como método de gestão. O caso do Morro dos Cavalos exige mais do que discursos e apelos. Exige ação coordenada, compromisso com prazos e respeito à sociedade.

Santa Catarina não precisa de novas promessas, mas de respostas concretas. E, sobretudo, precisa que o Poder Público, em todas as suas esferas, assuma a responsabilidade que insiste em adiar.

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