Editorial: A longa espera pela Zona Azul

O estacionamento rotativo de Florianópolis, popularmente conhecido como Zona Azul, está suspenso por decisão judicial desde janeiro deste ano. Nesse período, motoristas, comerciantes e moradores do Centro convivem com um problema que, a cada dia, se agrava: a falta de vagas e de fiscalização. E a solução? Bem, esta trafega lentamente no congestionamento da burocracia municipal e legislativa.

O imbróglio começou quando a Justiça determinou que a prefeitura deveria fazer uma concessão — e não licitação — para gerir o serviço. Desde então, a capital catarinense parece ter se contentado em esperar.

O projeto de lei que autoriza o novo modelo foi enviado à Câmara apenas dois meses após a suspensão e, de lá para cá, percorre um caminho moroso pelas comissões, como se o tempo não tivesse impacto real sobre a vida de quem circula na cidade.

Enquanto vereadores debatem e o Executivo aguarda, o cenário no Centro é caótico. Sem cobrança, motoristas deixam os carros o dia inteiro nas mesmas vagas. Moradores deixam de alugar garagens e passam a usar as ruas como estacionamento permanente.

Clientes desistem de consumir porque não encontram onde parar e comerciantes relatam queda no movimento. Quem chega depois das 8h precisa contar com a sorte, ou ter muita disposição para rodar um bom tempo até encontrar uma vaga.

A falta de Zona Azul não é apenas um inconveniente. É um retrocesso urbano que favorece o uso indiscriminado do espaço público, prejudica a rotatividade necessária ao comércio e escancara a incapacidade do Poder Público de dar respostas rápidas a demandas básicas.

Além disso, há perda de arrecadação. A última empresa que gerenciava o sistema trazia uma lucratividade média de R$ 150 mil por mês aos cofres municipais. Ou seja, praticamente R$ 1 milhão que a Capital deixou de arrecadar em quase sete meses sem cobrança.

Se a cidade quer ser referência em mobilidade, inovação e qualidade de vida, precisa começar pelo essencial: gerir de forma eficiente o que já existe. E no caso do estacionamento rotativo, é preciso acelerar a solução.

Não custa lembrar, depois de tramitar na Câmara, haverá o tempo do processo licitatório. Ou seja, no curto prazo, a cidade seguirá sem Zona Azul. Uma situação lamentável, que deixa Florianópolis estacionada na própria lentidão.

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