Editorial: A economia que reduza dependência social

Os números divulgados pelo IBGE, sexta-feira (8), colocam Santa Catarina em uma posição rara no cenário brasileiro: a de um Estado que demonstra, na prática, que desenvolvimento econômico e inclusão social podem caminhar lado a lado.

Ser a unidade da Federação com o menor percentual de famílias dependentes do Bolsa Família não deve ser interpretado como desprezo à importância do programa, mas como evidência de que o emprego continua sendo o instrumento mais sólido de transformação social.

Enquanto a média nacional aponta que 17,2% dos domicílios brasileiros recebem o benefício, Santa Catarina registra apenas 3,9%. Mais significativo ainda é o fato de que esse percentual caiu em relação ao ano anterior.

Em paralelo, o Estado fechou 2025 com quase 59 mil novas vagas formais de trabalho e a menor taxa de desemprego do país: apenas 2,2%. Os números revelam uma engrenagem econômica em movimento, sustentada pela força do empreendedorismo, pela capacidade industrial, pelo agronegócio competitivo e por um setor de serviços dinâmico.

Há, evidentemente, um mérito coletivo nesse resultado. Ele passa pelo esforço do trabalhador catarinense, pela ousadia de quem empreende e pela capacidade do Estado de manter um ambiente favorável aos negócios. Santa Catarina consolidou, ao longo das últimas décadas, uma cultura de valorização do trabalho e da produção. Não é coincidência que seja também um dos Estados mais competitivos do Brasil.

A redução da dependência de programas sociais precisa ser vista sob a ótica correta: não como retirada de proteção, mas como avanço da autonomia. Quando uma família deixa de precisar do auxílio estatal porque encontrou emprego, renda e estabilidade, toda a sociedade ganha. O Poder Público economiza recursos, a economia gira com mais força e as perspectivas de ascensão social tornam-se concretas.

Outro aspecto importante é que Santa Catarina não parece acomodada diante desses indicadores positivos. O foco anunciado em qualificação profissional, por meio de programas educacionais e técnicos, mostra compreensão de que o crescimento sustentável depende de mão de obra preparada. Em um mercado cada vez mais tecnológico e competitivo, investir em capacitação é garantir que o ciclo virtuoso continue.

Santa Catarina oferece hoje um exemplo concreto de que políticas voltadas à geração de trabalho, renda e qualificação podem produzir resultados expressivos. Mais do que comemorar estatísticas, o Estado reafirma uma vocação: a de crescer sem perder de vista a dignidade construída pelo esforço e pela independência econômica de sua população.

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