O Grupo Toky, controlador das marcas Mobly e Tok&Stok, registrou um prejuízo líquido de R$ 232,7 milhões no segundo trimestre de 2026, segundo relatório de resultados divulgado nesta segunda-feira (17). A perda representa um aumento de 161,7% em relação ao mesmo período do ano passado e ocorre em meio ao processo de recuperação judicial solicitado pela varejista em maio.
Queda nas vendas e margens
A receita líquida da companhia recuou 37,3%, para R$ 207,1 milhões. O volume bruto de mercadorias (GMV), que mede o total transacionado antes de cancelamentos e impostos, somou R$ 295,2 milhões — uma queda de 31,9% na comparação anual.
A margem bruta consolidada ficou em 52,1%, apresentando recuo de 1,6 ponto percentual sobre o segundo trimestre de 2025. A empresa atribuiu a queda aos descontos oferecidos pela marca Mobly para conter o impacto das rupturas de estoque sobre as vendas.
O Ebitda ajustado — indicador que mede a geração de caixa operacional — ficou negativo em R$ 7,6 milhões, revertendo o resultado positivo de R$ 23,1 milhões apurado um ano antes. A margem Ebitda ajustada passou de 7,0% para -3,7%.
Efeitos não recorrentes
O trimestre também computou R$ 148,5 milhões em efeitos não recorrentes, incluindo custos de reestruturação, multas pelo encerramento de dez lojas deficitárias e ajustes em contas a receber de marketplaces. Com esses itens, o Ebitda contábil ficou negativo em R$ 156,2 milhões.
As despesas com marketing e vendas somaram R$ 37,8 milhões, queda de 18,9% em valor absoluto. Contudo, em relação à receita líquida, o peso do indicador subiu de 14,1% para 18,2%.
Recuperação judicial e impacto no abastecimento
O pedido de recuperação judicial, no valor de R$ 1,1 bilhão, foi aceito pela Justiça em junho. Segundo a empresa, a medida abalou temporariamente a confiança dos fornecedores, gerando rupturas de estoque, extensão dos prazos de entrega e alta no cancelamento de pedidos ao longo do trimestre.
O grupo encerrou o período com R$ 23,4 milhões em caixa e liquidez total de R$ 92,9 milhões. A empresa afirma que o consumo de caixa refletiu o resultado operacional, os desabastecimentos temporários e os desembolsos não recorrentes voltados à reestruturação.
Perspectivas e investimentos
Segundo o Grupo Toky, a relação com fornecedores já apresenta retomada no fluxo de compras e redução no desabastecimento desde o pedido de recuperação. A companhia investiu R$ 17,9 milhões em Capex até o segundo trimestre, o equivalente a 37,3% do limite anual de R$ 48 milhões estabelecido em covenants financeiros com credores.
A administração do grupo defende que a recuperação judicial é o instrumento adequado para reestruturar suas obrigações financeiras e reconstruir uma estrutura de capital compatível com sua geração de caixa.