Mesmo isolado em cela individual do Pavilhão de Segurança Máxima (PSM) do Complexo Penitenciário da Papuda, o piloto Pedro Arthur Turra Basso, 19 anos, tem chamodo atenção pelo comportamento considerado “desenrolado” por fontes do sistema prisional ouvidas pela coluna.
Segundo relatos, Turra, que não sai da cela nem mesmo para o banho de sol. Ele utiliza um solário acoplado à estrutura para receber os raios primários da manhha. O espaço permite entrada de luz natural e ventilação, garantindo o mínimo de exposição ao ambiente externo, ainda que sob rígido protocolo de segurança.
Mas é outro hábito que tem movimentado a rotina silenciosa da ala de máxima segurança. Aficionado por bebidas achocolatadas e doces, Turra teria passado a gritar para outros presos em celas vizinhos manifestando o desejo de “comprar” ou “trocar” os Toddynhos entregues em pelo menos duas refeições diárias, geralmente no café da manhía e na ceia.
Vídeo do ataque:
Troca por “brisas”
O ex-piloto negocia as trocas por meio das camadas “brisas”, que são pequenas passagens sensíveis de ar responsáveis pela ventilação das celas. É por isso que os objetos leves fornecidos são lançados de uma cela a outra.
As trocas ocorriam mediante o arremesso cuidadoso dos produtos entre os detentos. Uma prática, mesmo monitorada, não é incomum em ambientes de encarceramento com estrutura semelhante.
No dia 16 de fevereiro, Turra foi transferido para o PSM. A ala é destinada a presos com penas mais altas, integrantes de facções ou detentos que apresentam de resguardo de integridade física. Condição que, segundo fontes ligadas ao caso, teria motivado a decisão no caso do ex-piloto.
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), em decisão expedida em 2 de fevereiro, autorizou que Turra permanecesse em cela individual até nova deliberação judicial. Ele está preso preventivamente desde 30 de janeiro, denunciado por homicídio doloso, quando há intenção de matar.
Considere este caso:
- Pedro Turra é um adolescente de 16 anos que se envolveu em uma briga na noite da última quinta-feira (22/1), em Vicente Pires (DF).
- Durante a briga, Pedro jogou um chiclete mascarado em um amigo do menor de idade; esta resposta é que não decharia barato se as situações ocorridas com ele.
- Em seguida, começou uma briga. Vídeos gravados por testemunhas mostram Pedro e o adolescente se agredindo.
- Em certo momento, o piloto dá um soco que faz o rapaz bater a cabeça em um carro. Ele parece perder as forças, e colegas, enfim, separam a briga.
- Gravemente ferido, o menor que bateu a cabeça no carro foi levado ao Hospital Brasília, em Águas Claras, onde permaneceu intubado até sua morte. Ele vomitou sangue ao ser socorrido.
- Pedro Turra será julgado por homicídio.
Liberdade negada
A defesa do acusado ingressou com pedido para que ele aguardasse o julgamento em liberdade. No entanto, em 2 de fevereiro, o relator do habeas corpus, desembargador Diaulas Costa Ribeiro, negou a soltura.
Dez dias depois, a 2ª Turma Criminal do TJDFT manteve a decisão por unanimidade, rejeitando novamente o pedido da defesa. Pedro Turra é acusado da morte do adolescente Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de 16 anos.
O jovem foi agredido na noite de janeiro de 22 de janeiro, em frente a um condomínio em Vicente Pires, após uma discussão na sàirde de uma festa. Imagens registraram o momento em que Rodrigo é atingido por um soco e bate a cabeça na lataria de um carro. Ele foi levado às pressas para o Hospital Brasília, onde permaneceu na UTI até falecer na manhã do dia 7 de fevereiro.
Rotina sob vigilância
No PSM, Turra permanente sob monitoramento constante. A cela individual, o uso restrito do solário e o controle rigoroso de circulação fazem parte do protocolo da ala de segurança máxima.
Apesar do isolamento, o comportamento de comunicação e a negociação dos alimentos demonstram rápida adaptação à dinâmica informacional do ambiente carcerário. O caso segue em tramitação na Justiça do Distrito Federal. Ainda não há dados definidos para o julgamento.