O confronto entre Avaí e Criciúma, em que o tigre venceu o Leão na Ressacada por 2 a 1, entregou exatamente aquilo que se esperava de um confronto regional de Série B: muita disputa, intensidade, ocupação de espaços e pouca margem para erros.
Foi um jogo travado, de forte marcação e extremamente competitivo. Dentro desse cenário, prevaleceu a equipe que apresentou mais qualidade, mais experiência e maior capacidade de executar seu plano de jogo. O Criciúma venceu porque foi melhor nesses quesitos.
As ausências de Zé Ricardo, Jean Lucas e Daniel Penha pesaram demais para o Avaí. São jogadores que dão qualidade, criatividade e dinâmica ao meio-campo. Sem eles, Luiz Henrique ficou praticamente isolado na responsabilidade de organizar a equipe, e o time perdeu força justamente no setor mais importante da partida.
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Eduardo Baptista montou um Criciúma muito inteligente. Abriu mão de um terceiro atacante, reforçou o meio-campo com Eduardo, Gui Lobo e Felipe Mateus, além do preenchimento nos corredores com os laterais William Lepo e Marcelo Hermes, onde criou superioridade numérica.
Sem a bola, o Tigre vinha com uma linha defensiva de cinco jogadores e apenas Otero e Waguininho mais avançados. Assim o Tricolor controlou os espaços e teve maior domínio territorial durante boa parte do primeiro tempo.
O Avaí, veio em um 4-3-3, e principalmente, no segundo tempo, competiu mais, tendo mais posse de bola. Apesar de que ainda no primeiro tempo, após sofrer o primeiro gol, teve duas chances claras, uma com Thayllon, que acertou a trave e a equipe ainda teve uma finalização de cabeça de Guilherme Aquino salva praticamente sobre a linha por Marcelo Hermes. Mesmo com esses lances, a sensação ao intervalo era de justiça no placar favorável ao time carvoeiro.
Thayllon, atacante do Avaí, acertou a trave no primeiro tempo, na derrota para o Criciúma por 2 a 1 na RessacadaFoto: Fabiano Rateke/AFC/NDNo segundo tempo, o gol de Felipe Mateus logo nos minutos iniciais deu ainda mais tranquilidade ao Criciúma. O Avaí passou a ter mais posse de bola, tentou empurrar o adversário para trás e buscou alternativas ofensivas, e diminuiu com Paulo Vitor de cabeça após cobrança de falta.
Houve entrega, luta e disposição do time Avaiano. Luiz Henrique tentou acelerar o jogo, buscou inversões e passes longos pelos lados, mas a equipe esbarrou na falta de criatividade, qualidade e de poder de definição.
Entre as decisões de Cauan de Almeida, a entrada de Jamerson era compreensível diante das opções disponíveis no banco. O problema foi a saída de Sorriso. O atacante vinha sendo uma das principais armas ofensivas do Avaí pelo lado esquerdo junto com Wesley Gasolina (veio para a esquerda após a substituição de Douglas Teixeira por lesão) e Luiz Henrique e, era por ali que o Leão estava levando mais perigo.
Sua substituição acabou aliviando a pressão sobre o setor defensivo do adversário. O erro não foi a entrada de Jamerson, mas a retirada de um jogador que vinha conseguindo desequilibrar.
Também chamou atenção a entrada tardia de Caio Brazil. O jovem de apenas 17 anos, da base Avaiana, e que também fez base em Grêmio e Flamengo, teve poucos minutos para participar efetivamente da partida.
O garoto demonstrou personalidade em um lance que resultou em escanteio, mas não teve tempo suficiente para ser avaliado. Talvez uma utilização mais precoce pudesse oferecer uma alternativa diferente em um momento em que o time precisava de energia e imprevisibilidade.
Nos números do jogo, ao todo o Avaí teve mais posse de bola 57% a 43%, o tigre finalizou mais 16 a 11, tendo uma grande chance a mais que o Leão, e, ambos finalizaram três vezes ao gol.
No final pesou a qualidade e experiência de um Criciúma com elenco mais robusto, e o time AZurra que sentiu demais as ausências e tendo elenco enxuto em que faltam peças de qualidade de reposição, sendo que mais uma vez sucumbiu a um adversário na Ressacada.
Avaí soma nove jogos sem vencer na Série B
Cauan, treinador do Avaí, sofreu com ausências de peças importantes na derrota para o CriciúmaFoto: Fabiano Rateke/AFC/NDAo final, a vitória do Criciúma foi merecida. No geral dos 90 minutos e mais acréscimos, o Tigre teve mais controle, mais organização e mais qualidade nos momentos decisivos. Já o Avaí amplia um cenário preocupante.
São nove partidas sem vencer, a equipe se aproxima perigosamente da zona de rebaixamento e a pressão cresce rodada após rodada. Mais do que os resultados, o que preocupa é a dificuldade do time em encontrar soluções para reagir dentro da competição, muito port conta de ausências e falta de qualidade nas reposições.
Por mais que o futebol seja feito de resultados e isso pode pesar na situação do técnico Cauan de Almeida no Avaí, mas essa sequencia de nove jogos sem vencer está muito mais na falta de opções de qualidade e experiência no elenco, do que no trabalho do treinador. O time Avaiano é organizado e competitivo dentro de campo. Falta qualidade na criação e na definição.
O treinado Avaiano perdeu peças ao longo da temporada por vendas, lesões e suspensões e falta clara reposição. Como também o próprio time titulares tem discussões de titularidade. A questão financeira fora de campo, atrapalhou uma montagem de um elenco mais robusto, e isso ao longo da competição faz diferença. Fica muito fácil apenas colocar na conta do treinador.