Cinturão de grãos movimenta R$ 3,5 bilhões em duas cidades de SC

Quem são os gigantes dos grãos em SC com R$ 3,5 bilhões?Foto: Montagem/ND Mais

Mesmo após enfrentar severas instabilidades climáticas, o campo em Santa Catarina voltou a mostrar sua força. Impulsionados pela recuperação das safras de grãos, dois municípios despontam no topo da geração de riqueza agrícola do Estado: Lages, na Serra, e São Miguel do Oeste, no Extremo-Oeste. Juntas, as duas cidades movimentam mais de R$ 3,51 bilhões por ano.

O impacto dessa produção vai muito além das lavouras: ele alimenta a indústria, aquece as exportações e sustenta milhares de empregos em todo o território catarinense.

Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com base no PIB (Produto Interno Bruto dos Municípios) de 2023 – o levantamento mais recente disponível – e foram compilados pela AgroBrasil Fazendas com base no VAB (Valor Adicionado Bruto) do agronegócio.

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Lages conquistou a liderança na produção de grãos impulsionada pelo cultivo da soja.Lages conquistou a liderança na produção de grãos impulsionada pelo cultivo da soja.Lages conquistou a liderança na produção de grãos impulsionada pelo cultivo da soja.Foto: @lagesdoalto/Drone & Vídeo/Instagram/ND Mais

Liderança no campo: os gigantes dos grãos

A produção de grãos é o motor que alavancou o desempenho financeiro dos dois municípios no ranking estadual:

  • Lages (R$ 1,79 bilhão): conquistou a liderança impulsionada pelo cultivo forte da soja e pela diversificação de outras culturas agrícolas.
  • São Miguel do Oeste (R$ 1,72 bilhão): com rendimento impressionante frente às intempéries, o município se consolidou no topo impulsionado por uma expressiva produção de milho.

O resultado foi celebrado pelo prefeito de São Miguel do Oeste, Edenilson Zanardi, que destacou a projeção do município entre os gigantes do agro catarinense. Segundo ele, o cálculo considera o valor total da produção bruta subtraído dos custos com insumos.

“A produção de milho, a suinocultura e a bovinocultura de leite são os verdadeiros pilares da nossa economia no campo”, enfatizou o prefeito nas redes sociais.

Imagem de São Miguel do Oeste que lidera ranking estadual na produção de grãosSão Miguel do Oeste se consolidou no topo da produção de grãos impulsionado pela produtividade de milho.Foto: Divulgação/ND Mais

A virada da safra: superação do clima e alta do milho e da soja

O bom momento das cidades acompanha a reação de todo o setor agrícola catarinense. De acordo com dados da Epagri/Cepa, o VPA (Valor da Produção Agropecuária) de Santa Catarina deu um salto, alcançando R$ 74,9 bilhões — um avanço expressivo frente aos R$ 64,8 bilhões do ciclo anterior.

Depois de sofrer com o excesso de chuvas, o segmento de grãos retomou fôlego com a normalização do clima. Os principais destaques do crescimento foram:

  • Milho grão (+50,5%): forte recuperação de produtividade e melhores preços no mercado.
  • Milho silagem (+46%): expressivo avanço na produção para apoio à pecuária.
  • Soja (+24,3%): expansão contínua de área plantada e recuperação de valor.
lavoura de sojaA soja confirmou a tendência de ganho de importância econômica.Foto: Reprodução/Freepik/ND Mais

Lavouras permanentes e temporárias como maçã, tabaco e mandioca também registraram alta de valorização e ajudaram a recompor os ganhos do setor.

Recuperação histórica: como o clima e os grãos viraram o jogo

A retomada do setor após as perdas provocadas pelo excesso de chuvas em ciclos anteriores foi o grande combustível para o agronegócio catarinense. Segundo o engenheiro agrônomo da Epagri/Cepa, Luiz Toresan, o segmento de grãos — que havia encolhido 20,9% em 2024 — protagonizou uma virada impressionante.

“A normalização do regime de chuvas permitiu que as culturas retomassem níveis elevados de produtividade. A soja confirmou a tendência de ganho de importância econômica, impulsionada pela recuperação de preços, produção e avanço contínuo da área cultivada”, explica Toresan.

O especialista aponta os principais motores dessa reação e o panorama das demais lavouras no Estado:

  • Soja e milho: foram os grandes destaques do Valor da Produção Agropecuária. O milho-grão teve forte alta na produtividade e nos preços pagos ao produtor.
  • Arroz e feijão: apesar de ganhos no volume colhido, a queda acentuada nos preços praticados no mercado neutralizou o faturamento dos produtores.
  • Trigo: registraram alta qualidade e excelente produtividade, mas o volume total caiu 11% devido à redução da área plantada.
  • Hortaliças e lavouras temporárias: tabaco e mandioca tiveram forte valorização, recuperando o terreno perdido no ano anterior.
  • Lavouras permanentes: a maçã se destacou pela expansão da produção e melhora nos preços, acompanhada pela consolidação da banana — uma das frutas mais importantes do Estado — e pela recuperação da uva e do maracujá.
Milho grão teve forte recuperação de produtividade e melhores preços no mercado.Foto: Divulgação/SAR/ND MaisMilho grão teve forte recuperação de produtividade e melhores preços no mercado.Foto: Divulgação/SAR/ND Mais

Motor econômico: 140 mil propriedades sustentam o Estado

A força do agro catarinense está distribuída em mais de 140 mil estabelecimentos rurais, envolvendo cerca de 480 mil trabalhadores. A agropecuária já representa 7,1% de toda a geração de riqueza de Santa Catarina.

Embora o Estado seja altamente diversificado, seis produtos concentram quase 70% de todo o valor gerado no campo:

  • Suínos: 21,9%
  • Frangos: 15,4%
  • Leite: 11,5%
  • Soja: 9,0%
  • Tabaco: 6,1%
  • Bovinos: 5,3%

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