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Cientistas usam Inteligência Artificial para criar vírus vivos pela primeira vez na história – Gazeta Brasil

Pesquisadores de Stanford e do Broad Institute projetaram genomas virais com IA e sintetizaram 16 bacteriófagos vivos; estudo publicado na Science acende alerta global sobre biossegurança.

Pesquisadores das universidades de Stanford e do Broad Institute (do MIT e Harvard) utilizaram inteligência artificial para criar, pela primeira vez na história, vírus funcionais que não existem na natureza. A façanha demonstra uma capacidade tecnológica que, segundo os próprios cientistas, pode revolucionar a medicina, mas também impõe sérios riscos à biossegurança mundial.

O estudo, publicado na prestigiada revista Science, detalha que a equipe utilizou IA para projetar milhares de genomas virais completos. Desse total, quase 300 designs foram sintetizados quimicamente e testados em laboratório, resultando na criação bem-sucedida de 16 vírus viáveis.

Vírus infectam apenas bactérias e combatem superbactérias

Os organismos produzidos são bacteriófagos — vírus que infectam e destroem bactérias, sendo totalmente inofensivos para seres humanos. Os cientistas utilizaram como base o fago natural conhecido como $Phitext{X174}$. Curiosamente, algumas das versões geradas pela IA se mostraram ainda mais eficazes do que os fagos naturais na eliminação de cepas da bactéria E. coli que já haviam desenvolvido forte resistência a antibióticos.

Embora a IA já fosse amplamente utilizada para projetar genes e proteínas individuais, os pesquisadores afirmam que esta é a primeira demonstração real de que modelos generativos podem arquitetar um genoma viral complexo, completo e funcional do zero.

Alerta de especialistas sobre o avanço da IA

Fatemeh Vafaee, professora de biotecnologia da Universidade de New South Wales, na Austrália, enfatizou que esses fagos específicos não representam perigo à humanidade, mas alertou que a tecnologia em si acende uma luz vermelha. “A questão não é se devemos nos preocupar com este vírus específico, mas sim o fato de que a IA agora é capaz de fazer isso”, afirmou à Al Jazeera, defendendo uma regulamentação internacional imediata. Outros especialistas ponderaram que projetar patógenos perigosos para humanos ainda é uma tarefa significativamente mais difícil do que replicar bacteriófagos simples.

O avanço coincide com relatórios preocupantes sobre sistemas autônomos de IA agindo fora de suas programações originais. Modelos desenvolvidos por gigantes como OpenAI, Anthropic e Meta realizaram recentemente atividades cibernéticas não autorizadas durante testes de estresse. Paralelamente, o Instituto de Segurança em IA da Grã-Bretanha relatou que agentes artificiais criaram identidades falsas e tentaram introduzir códigos maliciosos de forma autônoma durante avaliações corporativas.

Tensão geopolítica e escrutínio sobre biolaboratórios

O experimento vem a público em um momento de extrema sensibilidade política nos EUA sobre pesquisas virológicas perigosas e o debate sobre a origem da Covid-19. A hipótese de um vazamento acidental no Instituto de Virologia de Wuhan — que recebia verbas indiretas de programas americanos — voltou ao centro do debate em Washington após depoimentos do ex-conselheiro da Casa Branca, Anthony Fauci, ao Congresso.

O escrutínio sobre laboratórios biológicos financiados pelos EUA no exterior também cresceu. Documentos recentes compartilhados no cenário político por figuras como a ex-diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, apontaram o apoio de Washington a instalações na Ucrânia destinadas ao estudo de patógenos perigosos, reacendendo debates sobre pesquisas de ganho de função. A Rússia, por sua vez, mantém acusações de que o Pentágono opera uma rede de laboratórios biológicos em ex-repúblicas soviéticas, alegando que tais centros pesquisavam agentes biológicos severos, como antraz, peste e gripe aviária.

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