Se teve um carro elétrico que chegou com boas condições de encarar os chineses foi o Renault E-Kwid. O subcompacto foi o primeiro modelo movido 100% a bateria abaixo dos R$ 100 mil.
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O posto de carro elétrico mais barato do Brasil poucas vezes foi desbancado. Porém, não foi o suficiente e o Kwid E-Tech teve vida curta no mercado. A boa notícia é que, mesmo no segmento de veículos usados e de segunda mão, ele segue como um dos carros elétricos mais baratos.
Confira 10 fatos sobre o Renault Kwid E-Tech.
Trajetória do Kwid E-Tech
O Renault Kwid E-Tech foi lançado no Brasil em setembro de 2022. Importado da China, a variante zero combustão do subcompacto da marca francesa já chegou como o carro elétrico mais barato do Brasil – custava R$ 142.990.

O modelo estreou no embalo do lançamento do Renault On Demand, o serviço de assinatura de veículos da marca, que já incluía o pequeno elétrico. Visualmente, a diferença dele para o Kwid flex estava na grade dianteira e na roda, com quatro em vez de três furos.
Em outubro de 2025, a Renault lançou a renovada linha 2026 do Kwid E-Tech. O modelo ganhou importantes equipamentos de assistência à condução e foi reestilizado, inspirado em sua versão europeia: o Dacia Spring.
O carrinho adotou dianteira com elementos mais retilíneos, grade escurecida com barras em alto-relevo e o novo losango da marca francesa. Os faróis também foram redesenhados e as luzes diurnas de LEDs ganharam formato de “Y”.
Na traseira, o Kwid E-Tech recebeu faixa preta horizontal sobre a tampa do porta-malas e integrando as lanternas de LEDs. Tais luzes ganharam novas seções internas.
Dentro, painel de instrumentos eletrônico, central multimídia com tela destacada do painel e alavanca do tipo joystick para o câmbio – igual à do Kardian. Mas o carro ficou pouco tempo com essas mudanças: deixou de ser importado em maio de 2026.
Desempenho
Apesar de pesado (977 kg), os 65 cv e 11,5 kgfm do motor elétrico conseguem mover o Kwid E-Tech com certa dignidade na cidade. As respostas são imediatas ao acelerador como em qualquer carro elétrico.

Chegar aos 50 km/h é fácil – são 4,1 segundos, conforme dados da fabricante. Mas depois o carro demora a desenvolver. Tanto que, para o 0 a 100 km/h, são necessários longos 14,6 segundos. Ou seja, o negócio dele é realmente o habitat urbano.
Autonomia
O propulsor do Kwid E-Tech é alimentado por baterias de íons de lítio com 26,8 kWh de capacidade. Segundo o ciclo PBEV/Inmetro, com uma carga completa o hatch é capaz de rodar 185 km.
Já de acordo com a Renault, as baterias podem ser completadas em 9 horas em tomadas comuns 220V aterradas. Já nos aparelhos do tipo Wallbox, de 20% a 80% são necessárias 3 horas, enquanto nos equipamentos de corrente contínua (DC), essa mesma carga leva 45 minutos.
Dinâmica
Ao contrário da maioria dos elétricos disponíveis do mercado, o Kwid E-Tech não tem uma base pensada para a eletrificação. Ele é um carro projetado para motor de combustão que foi adaptado para receber o conjunto elétrico.
Isso se reflete na dinâmica. As baterias posicionadas sob o banco traseiro interferem no centro de gravidade. Assim como no Kwid flex, o elétrico dá sinais de flutuação na estrada acima dos 90 km/h e se ressente com qualquer vento lateral.
Nas curvas, aquela sensação de fragilidade do subcompacto se repete. A carroceria torce além do que se espera de um carro com apenas 2,43 metros de distância entre os eixos.
Espaço e conforto do Kwid E-Tech
Como dito, é um carro pequeno, com 3,70 metros e homologado para quatro passageiros. A posição de dirigir é ruim e motoristas com mais de 1,75 metro de altura tendem a raspar o teto e terem a visualização comprometida.

No banco traseiro, há espaço limitado para pernas e joelhos. Ainda tem um túnel elevado ali no assoalho – lembre-se que é um projeto de um veículo a combustão. O porta-malas recebe 290 litros de capacidade.
O Kwid E-Tech tem coisas curiosas que um carro elétrico não costuma ter. Como o freio de mão (isso, por alavanca) e chave para a partida do motor – a maioria dos rivais usam freio de estacionamento eletrônico e partida por botão.
A direção com assistência elétrica é bastante leve e tem diâmetro de giro de 9,60 metros. Junto com as dimensões enxutas, fica fácil manobrar o Renault Kwid E-Tech.

O conforto acústico se dá pela ausência da vibração do motor flex de três cilindros, mas barulhos de vento invadem a cabine sem pedir licença. Já o acabamento, apesar da melhora na atualização de 2022, ainda é um ponto fraco.
A calibragem da suspensão, por sua vez, é dura, até mesmo se comparado ao acerto dos Kwid a combustão. Em compensação, o hatch não parece aquele João Bobo ao passar pelos quebra-molas e buracos como ocorre com a maioria dos rivais de marca chinesa
O carro elétrico mais barato do país
Lembra que ele chegou por R$ 142.990? Bem, era bem mais em conta que o JAC E-JS1, (R$ 164.900). Só foi perder o posto de carro elétrico mais barato do Brasil quando a Caoa Chery lançou o iCar por R$ 139.990 – mas o Renault era mais equipado.
O parquinho pegou fogo mesmo em 2023, depois que a BYD lançou o Dolphin por R$ 149.800. O carro elétrico da marca chinesa era bem maior que o trio supracitado e mais equipado.
Teve início, então, uma guerra de preços. A Caoa Chery e a JAC baixaram os preços de seus carros para menos de R$ 120 mil. Mas a Renault, até então, ficou comendo pipoca como no GIF do Michael Jackson.
Quando surgiu o burburinho de que o Dolphin Mini seria lançado, em 2024, com preço abaixo dos R$ 100 mil, a marca francesa deu sua cartada e reduziu o preço do Kwid E-Tech para R$ 99.990. O rival da BYD, por sua vez, decepcionou, e chegou por R$ 115.800.
Nossa dica
Vamos de Renault Kwid E-Tech Techno 2025/26, ainda na garantia e que continua um carro elétrico barato. Pelo Preço de Loja da KBB Brasil custa R$ 89.565, enquanto o Preço de Particular fica em R$ 80.608 (apurados em agosto de 2026).

Essa última leva de Kwid E-Tech já se vale de um ótimo pacote de itens de assistência à condução: ACC, frenagem autônoma de emergência, sensor de ponto cego, alerta de fadiga, reconhecimento de placas e assistente de faixa. Itens raros ou inexistentes em hatches compactos a combustão e mesmo em elétricos chineses de entrada.
Ainda na segurança, segue bem equipado. São seis airbags e o subcompacto oferece sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, além de câmera de ré. Quadro de instrumentos eletrônico em display de 7”, multimídia em tela de 10”, ar-condicionado digital e trio elétrico fecham o recheio.
Mas não bastou…
Apesar do posto de carro elétrico mais barato do país e do ótimo custo/benefício, o Renault Kwid E-Tech jamais empolgou nas vendas. Seu melhor ano foi 2025, com mais de 1.600 licenciamentos. Em quase quatro anos o carro vendeu 3.870 unidades no total.
Manutenção do Kwid E-Tech
O hatch foi vendido com três anos de garantia, e oito anos ou 120 mil km de cobertura para as baterias. No lançamento, a montadora prometia revisões pela metade do preço da manutenção do Kwid a combustão.
Veja os valores:
- 10.000 km: R$ 320
- 20.000 km: R$ 366
- 30.000 km: R$ 366
- 40.000 km: R$ 412
- 50.000 km: R$ 412
Principais problemas do Kwid elétrico
Segundo relatos em fóruns com proprietários e no site Reclame Aqui, as principais queixas sobre o Renault Kwid elétrico dizem respeito a:
- pane em sistemas elétricos como vidros e retrovisores
- alertas frequentes do sistema ABS
- falhas no carregamento das baterias
- trepidação nos freios
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