Quem desembarca em Gold Coast, na costa leste da Austrália, pode ter a sensação de que não cruzou o oceano. É que a cidade, cerca de 15 mil quilômetros de casa, se transformou em uma espécie de enclave brasileiro, onde a combinação de transporte público a preço de custo e moradias compartilhadas viabiliza o sonho de viver no epicentro do surfe mundial.
A região fica próxima à Brisbane, sede dos próximos Jogos Olímpicos, e ostenta 57 km de praias e um clima ensolarado que convida ao estilo de vida ao ar livre.
Apesar de parecer “fora do orçamento”, os brasileiros descobriram como usufruir do custo de vida australiano por meio dos “puxadinhos”, redes informais de moradia compartilhada e divisão de despesas que permitem estender a permanência no país por anos.
Transporte que custa menos que um cafezinho
Outro forte atrativo para a comunidade imigrante é a política tarifária do estado de Queensland. Com passagens de ônibus e bondes custando apenas 50 centavos, a mobilidade urbana deixou de ser um peso no orçamento.
Para o brasileiro que vive de trabalhos em hospitalidade e serviços, essa economia é o que permite trocar o carro por uma prancha de surfe, facilitando o deslocamento entre os empregos e os picos de onda mais famosos do mundo.
Vida de atleta
A vocação de Gold Coast para o esporte é o que sela a conexão emocional com o Brasil. A cidade ainda é sede do Gold Coast Pro, etapa icônica da World Surf League (WSL) disputada em Snapper Rocks. O local, conhecido por suas direitas intermináveis, já foi palco de vitórias de nomes como Gabriel Medina e Filipe Toledo.
Kit sobrevivência
As vantagens se extendem ao fato de que estudantes têm permissão para trabalhar 48 horas quinzenais. Sim, o estudante internacional em Gold Coast encontrou no setor de turismo sua principal fonte de renda.
Até o setor de educação se adaptou ao fluxo migratório. Instituições como a Pacific English School funciona como um centro de integração, oferecendo preparatórios para exames como IELTS e Cambridge, mas também suporte em português para quem precisa de ajuda com a burocracia local ou saúde mental.
Foi por conta dessa rede de apoio mútua que a cidade australiana transformou bairros como Surfers Paradise em redutos onde se fala mais português do que inglês em certas esquinas.
Confira mais curiosidades sobre a capital do surf no vídeo abaixo.