O Brasil vive um paradoxo cruel em relação aos direitos das mulheres. Por um lado, celebramos marcos históricos: a consolidação da Lei Maria da Penha, a recente Lei de Igualdade Salarial e a Lei 14.994/24, que endureceu a pena para o feminicídio para até 40 anos. No campo civil, as brasileiras avançam na educação e na ocupação de cargos de liderança, desafiando barreiras antes intransponíveis.
Entretanto, o endurecimento das leis contrasta com uma realidade de sangue: o país registrou um recorde alarmante de 1.568 feminicídios em 2025, uma alta de 4,7% em relação ao ano anterior. A segurança pública permanece como o elo mais frágil dessa corrente. Embora o aparato jurídico seja robusto, a rede de proteção ainda falha na prevenção. Falta a execução plena de orçamentos destinados a casas de acolhimento e ao fortalecimento das patrulhas especializadas.
O desafio atual vai além de punir o agressor; exige uma mudança cultural profunda que desconstrua o machismo estrutural. Sem políticas públicas integradas que unam educação, fiscalização rigorosa de medidas protetivas e acolhimento eficaz, o direito básico à vida continuará sendo, para milhares de mulheres, apenas uma promessa no papel.
É urgente transformar a indignação em proteção real. O vídeo divulgado por este jornal em seu canal no Instagram, de um homem da prefeitura de Bertioga agredindo uma mulher, mostra que ainda muita coisa precisa ser mudada.