O Brasil registrou no último ano, um retrato devastador da violência contra a mulher. Em 2025, ao menos 1.470 mulheres foram assassinadas em contextos caracterizados como feminicídio, o maior número desde a criação da tipificação legal, em 2015.
Mesmo sem a consolidação total dos dados em quatro estados, a média é brutal: quatro mulheres mortas por dia em ambientes marcados por violência doméstica e familiar. São Paulo lidera o ranking nacional em números absolutos, com 233 casos, seguido por Minas Gerais, com 139, e Rio de Janeiro, com 104, revelando que o problema atravessa regiões e classes sociais.
As tentativas de feminicídio chegaram a 3.702 em 2025, alta de 16,3% em relação ao ano anterior. Em seis anos, o país já soma mais de 15 mil tentativas, evidenciando um sistema de prevenção falho e incapaz de interromper ciclos de violência anunciados. Desde 2015, quando foram registrados 535 casos, o crescimento chega a alarmantes 316%.
Embora o endurecimento das penas em 2024 represente um avanço simbólico, a escalada dos números expõe a ausência de políticas públicas efetivas no atual governo. Sob a gestão do presidente Lula (PT), faltaram investimentos consistentes em prevenção, proteção às vítimas e fortalecimento da rede de acolhimento. Punir depois não basta.
Enquanto o discurso não se traduz em ações concretas, o país segue contabilizando mortes evitáveis e normalizando uma tragédia que deveria envergonhar o Estado brasileiro.