Além de um acordo de R$ 131 milhões com o Banco Master, um ex-banqueiro conversou sobre transferir partes de aviões para pagar advogados. As conversas mostram medo de que isso aparecesse publicamente e pedidos de pagamentos “sem nota, do jeito que for”.
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O escritório de advocatia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez um segundo contrato com uma empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A informação é de um relatório da Polícia Federal (PF) que deixou de ser secreto nesta terça-feira (1º).
O contrato, de 12 de maio de 2025, foi assinado entre o escritório de Viviane e a empresa Viking Participações Ltda, que tem Vorcaro como sócio. O texto previa “prestação de serviços e de honorários advocatícios”, com consultoria em várias áreas (como empresas, impostos e leis trabalhistas), além de defesa em investigações e processos na justiça.
Aviões como pagamento
Em uma conversa de 16 de maio de 2025, o advogado Leonardo Palhares, que trabalhava para o banqueiro, mandou duas propostas para pagar a conta. A ideia era que R$ 40 milhões fossem pagos com a entrega de partes de dois veículos de luxo — um jato e um helicóptero —, e os outros R$ 10 milhões restantes fossem para cobrir os gastos do uso deles.
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Os bens eram um jato Legacy 650 (de prefixo PP-NLR) e um helicóptero EC 155 B1, feitos pela Airbus Helicopters. As donas desses veículos eram empresas da Prime Aviation, da qual Vorcaro era sócio.
O jornal Folha de S.Paulo já havia contado que o ministro Moraes usou esse mesmo jato em julho de 2025. Em mensagens achadas pela PF, um dos sócios da empresa avisou Vorcaro que as aeronaves já eram usadas pelo ministro e pela esposa. Em outra conversa, quando perguntada se “estão gostando da utilização das cotas de vocês”, Viviane respondeu: “Sim, estamos gostando muito, todos que nos atenderam sempre foram muito educados e atenciosos”.
Tentativa de esconder
Os diálogos descobertos pela PF mostram que Vorcaro e Viviane tentavam evitar que os pagamentos ao escritório fossem expostos. Em julho de 2025, avisaram o banqueiro que os veículos não iriam mais para o escritório de Viviane, mas sim para uma empresa chamada “Lux”. Um advogado comentou que o medo era o “risco reputacional” (estragar a imagem de quem estava envolvido).
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Em março de 2024, o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria disse a Vorcaro que “o careca não pode atrasar”. Logo depois, Vorcaro cobrou um funcionário com força, chamou o atraso de surreal e disse que o banco podia se dar mal. No mesmo dia, mandou outra funcionária garantir que os pagamentos para a esposa de Moraes não atrasassem “nem um dia” e liberou que fossem feitos “sem nota, do jeito que for”.
Em abril de 2025, Vorcaro mandou guardar bem o contrato físico com o escritório para que “ninguém tenha acesso” a ele dentro da empresa. Já em outubro, ao saber que a última conta havia sido paga por Pix, Vorcaro achou ruim e disse que “não é bom”, preferindo as transferências via TED usadas antes.
Os papéis não provam se a entrega dos aviões realmente aconteceu. Na Junta Comercial de São Paulo, onde as empresas donas das aeronaves estão registradas, não há registros de que essas cotas tenham sido passadas para outro nome.
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O que diz o escritório
Em nota, o escritório Barci de Moraes declarou que “o escritório possuía somente uma contratação com o Master e nega qualquer transferência ou substituição do contrato. A proposta do Banco Master não foi aceita, nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição”.