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Nos últimos anos, temos ouvido falar muito sobre como a inteligência artificial (IA) está mudando a forma como vivemos e trabalhamos. Agora, estamos vivenciando uma nova fase dessa transformação, que tem tudo para impactar diretamente o desenvolvimento de tecnologia nas empresas: a codificação feita com ajuda da IA.
De acordo com uma recente análise da MIT Technology Review Brasil, estamos surfando a segunda onda da codificação com IA. A primeira foi marcada pelo lançamento de ferramentas como o GitHub Copilot, que passaram a atuar como assistentes na programação, sugerindo trechos de código e aumentando a produtividade dos desenvolvedores. Agora, no entanto, estamos diante de algo mais profundo, com modelos que escrevem, testam, reescrevem e otimizam código de forma cada vez mais autônoma e eficaz.
Essa nova fase traz arquétipos de IA capazes de escrever, testar e melhorar códigos sozinhos. Eles não apenas ajudam, em muitos casos, mas, sim, fazem grande parte do trabalho técnico. E o mais interessante é que estão se tornando acessíveis para pessoas que não são programadoras. Ou seja, qualquer profissional com uma boa ideia pode, com a ajuda da IA tirar um projeto do papel.
Na prática, isso muda o papel da programação dentro das empresas. A codificação deixa de ser uma atividade restrita a especialistas e passa a ser parte do repertório de times multidisciplinares. O conhecimento técnico continua sendo valioso, claro, mas habilidades como criatividade, pensamento lógico e visão de negócio passam a ser ainda mais importantes. O foco agora é construir com eficiência, inovação e rapidez.
Essa mudança tem reflexos importantes em várias frentes. Na educação, já vemos o começo de uma transição, onde se discute menos sobre dominar uma linguagem específica de programação e mais sobre ensinar raciocínio computacional e solução de problemas. No mercado de trabalho, começam a surgir novas funções para quem atua como ponte entre os problemas do mundo real e a capacidade de execução das IAs. E dentro das empresas, os times precisam se adaptar a uma nova dinâmica, em que a IA não apenas acelera os processos, mas muda a maneira como pensamos, planejamos e entregamos soluções.
No geral, a empolgação em torno dos assistentes de codificação generativa é acompanhada por aspirações maiores, onde muitas dessas ferramentas estão sendo desenvolvidas como passos estratégicos no caminho rumo à inteligência artificial geral (AGI). À medida que a engenharia de software evolui, esses sistemas começam a transformar não só o que os desenvolvedores fazem, mas como eles trabalham redefinindo fluxos, funções e até mesmo o conceito de criação tecnológica.
Estamos diante de um futuro promissor, mas também incerto, no qual a linha entre criatividade humana e execução técnica será cada vez mais compartilhada com a inteligência das máquinas.
Marcelo Ciasca é CEO Brasil do Grupo Stefanini.
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