O acesso à água canalizada ainda é um problema grave no Brasil, especialmente em regiões mais pobres e periféricas. Embora seja um direito básico, garantido por leis e pela Constituição, a realidade é que muitos brasileiros ainda convivem com a falta de infraestrutura adequada para obter água tratada em suas casas.
Entre os mais prejudicados estão as crianças, que sofrem diretamente com a ausência desse recurso essencial. A falta de água potável as expõe a doenças como diarreia, infecções gastrointestinais e até desnutrição, já que a contaminação da água compromete a saúde e o desenvolvimento infantil.
A cada ano, milhares de crianças adoecem ou até perdem a vida por conta de enfermidades que poderiam ser evitadas com um abastecimento de água adequado.
No Dia Mundial da Água, comemorado sábado (22), o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) fez um alerta que 2,8 milhões de crianças vivem sem acesso adequado à água no Brasil, em especial nas áreas rurais.
Os dados são do estudo Pobreza Multidimensional na Infância e Adolescência no Brasil, publicado em janeiro, e dizem respeito ao período de 2019 a 2023.
Apesar de o número de crianças e adolescentes sem acesso à água ter diminuído 31,5% no período, cerca de 1,5 milhão no país ainda vivem em situação mais extrema, morando em residências sem água canalizada. De acordo com o estudo, o Acre é o Estado em situação extrema, onde 12,7% das crianças e adolescentes vivem em locais sem acesso à água canalizada.
O impacto da falta de água canalizada se reflete diretamente no sistema de saúde. Hospitais e postos ficam sobrecarregados com doenças que poderiam ser prevenidas. Isso gera um custo elevado para os cofres públicos e prejudica o atendimento de outras demandas médicas.
Investir na ampliação da rede de saneamento e na distribuição de água tratada não é apenas uma questão de infraestrutura, mas também uma estratégia essencial para fortalecer o sistema de saúde do país.
Os governos, tanto federal quanto estaduais e municipais, precisam intensificar esforços para mudar esse cenário. Políticas públicas eficazes, investimentos em saneamento e fiscalização rigorosa são fundamentais para garantir que todos os brasileiros tenham acesso à água de qualidade.
Além disso, parcerias com a iniciativa privada e organizações sociais podem acelerar esse processo, tornando o acesso à água uma prioridade real e não apenas um discurso político. É hora de transformar essa realidade, garantindo que todas as famílias, principalmente as mais vulneráveis, tenham acesso a um direito tão básico e essencial à vida.