Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Editorial: Tainha, tradição viva nas praias catarinenses

A abertura da safra da tainha em Santa Catarina marca o início de um ciclo produtivo, pois é a renovação de um ritual coletivo que atravessa gerações e reafirma a identidade cultural do Litoral catarinense.

Nos ranchos de pesca, onde o tempo parece seguir outro compasso, o trabalho dos pescadores artesanais mantém viva uma tradição que resiste às pressões da modernidade e às transformações econômicas.

É ali, na beira do mar, que se revela um modelo de trabalho profundamente enraizado na cooperação. A pesca da tainha, especialmente por meio do arrasto de praia é, além de uma importante atividade econômica, um esforço comunitário que envolve famílias inteiras, vizinhos e amigos. Cada puxada de rede carrega não só o peixe, mas também valores como solidariedade, respeito à natureza e transmissão de valores entre gerações.

A nova portaria que regulamenta a safra deste ano traz avanços importantes ao equilibrar produção e sustentabilidade. A ampliação das cotas, baseada em avaliações técnicas atualizadas, sinaliza um cenário mais favorável para o setor, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de controle e monitoramento rigoroso. É um reconhecimento de que o desenvolvimento econômico pode, e deve, caminhar ao lado da preservação ambiental.

No entanto, é fundamental que esse equilíbrio não obscureça o papel central dos pescadores artesanais. Embora a pesca industrial tenha sua relevância econômica, é na atividade tradicional que reside o verdadeiro patrimônio imaterial do Estado. Os ranchos não são apenas pontos de apoio logístico, mas espaços de convivência, memória e pertencimento.

Em um mundo cada vez mais acelerado e individualista, a safra da tainha nos lembra da importância do coletivo, da paciência e do respeito aos ciclos naturais. Valorizar o trabalho desses pescadores é, portanto, valorizar uma forma de vida que ensina sobre resiliência e conexão com o território.

Que esta temporada seja farta não apenas em números, mas também em reconhecimento. Porque preservar a pesca artesanal da tainha é garantir que Santa Catarina continue a contar uma história que não se mede apenas em toneladas, mas em tradição, dignidade e trabalho compartilhado.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Professora e colegas fazem surpresa para aluno que ia caminhar para a escola todos os dias

A entrega, realizada na última quinta-feira, 30, foi feita em uma pequena cerimônia dentro de…

Menopausa ou burnout? Sintomas confundem e afetam a produtividade feminina

A menopausa não é apenas uma mudança ginecológica. Ela também leva a uma reorganização cerebral.…

Polícia do RJ faz operação contra grupo do TCP suspeito de roubar celulares para fraudes bancárias

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou na…